
Na terça-feira, 25 de agosto, membros de várias congregações religiosas tiveram um encontro de formação promovido pela CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil) na Diocese de Registo (SP). A atividade foi realizada em Barra do Turvo, Sul do Estado de São Paulo. A irmã Nelly Boonen, missionária serva do Espírito Santo (SSpS), conduziu o tema principal: “Reflexões sobre o abuso de poder”.
Foi um momento profundo de reflexão pessoal, comunitária e contextual sobre a vida religiosa e a Igreja, especialmente diante dos desafios relacionados ao exercício do poder e da autoridade em nossas comunidades e instituições. A reflexão nos ajudou a perceber que o abuso de poder nem sempre se manifesta de forma evidente. Ele também pode aparecer de maneira sutil, por meio da manipulação, do controle, do silenciamento, do medo, da imposição, da dependência e da dificuldade de reconhecer a liberdade e a dignidade do outro.
É necessário, por isso, um exercício cotidiano de vigilância, discernimento e autocrítica, perguntando-nos como exercemos nossas responsabilidades e de que maneira nossas atitudes podem favorecer ou dificultar relações mais fraternas e humanizadoras.
O poder, quando compreendido como serviço, pode gerar vida, participação, corresponsabilidade e comunhão. Quando utilizado para dominar, controlar ou manipular, torna-se contrário ao Evangelho e pode ferir profundamente as pessoas e as comunidades.
A formação também nos recordou que o projeto do Reino de Deus não combina com relações de dominação, mas aponta para uma vida na qual todas as pessoas possam viver com dignidade, liberdade, respeito e participação.
Nossas comunidades sejam espaços onde o poder se transforme em serviço, a autoridade em cuidado e a convivência em caminho de libertação. Que o Espírito de Deus nos conceda sabedoria e coragem para rever nossas práticas e continuar construindo uma Igreja e uma vida religiosa comprometidas com o Reino de Deus, a justiça, a liberdade e a vida em plenitude para todas e todos.
Que esse encontro não permaneça apenas como uma boa reflexão, mas se transforme em prática cotidiana, ajudando-nos a construir comunidades mais seguras, transparentes, participativas e capazes de cuidar umas das outras. Possamos aprender a reconhecer os sinais de abuso, romper com culturas de silêncio e fortalecer relações baseadas na escuta, confiança, corresponsabilidade e respeito à dignidade de cada pessoa.
Padre Martin Islas
Missionário do Verbo Divino (SVD)

