Reeducação para homens violentos? Conheça o Projeto Construindo Novos Valores

Mês passado, no Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, falamos neste post sobre como a independência financeira feminina contribui para a saída das mulheres do quadro de violência doméstica.

Hoje, no Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres, dedicamos um tempo para abordar outra face desta violência: a dos agressores.

Por que homens batem em mulheres?

Para entender melhor sobre este assunto, pesquisamos os principais motivos que fazem com que os homens cometam uma agressão e os resultados foram bem curiosos.

Existe um status que se chama pole position, e mexe diretamente com o ego da pessoa. Este sentimento faz com que a pessoa se sinta mais vantajosa perante a sociedade. Quando acontece alguma situação em que o homem se sente inferiorizado pela mulher, ele pode vir a querer retomar esse status, inclusive com força física.

Um outro fator comum foi a banalização da violência, provocada pela vivência destas pessoas em locais onde a violência é comum e diária. Pessoas que estão expostas todos os dias à violência, acabam achando comum e repetem o comportamento. Em média, 60% dos homens agressivos vivenciaram violência doméstica na infância.

Outros fatores incluem: não saber lidar com a frustração, rejeição, afronta e uso de substâncias psicoativas (drogas).

Independente de qualquer que seja o motivo que leva a uma discussão ou desacordo, defendemos que nenhuma situação deve ser tratada com violência, afinal, ninguém gosta de apanhar não é mesmo?

A reeducação como caminho

Entre os especialistas, é consenso que o caminho para a mudança dos comportamentos agressivos dos homens está na reeducação.

Tem circulado um vídeo na internet onde escolas em Nairobi, no Quênia, tem dado aos alunos Aulas de Consentimento para meninos e autodefesa para meninas. Este ensino faz parte do programa da Fundação No Means No WorldWide (“Não Significa Não, Mundo Afora”, em tradução livre) e ajudou a reduzir a violência em 50% logo no início do projeto.

Garotos ensinados a respeitarem as mulheres

Isso é o que acontece quando garotos são ensinados a respeitarem as mulheres.Fonte ATTN:

Posted by Quebrando o Tabu on Thursday, November 2, 2017

Como o governo não dá conta de atender a todos que precisam, algumas ONGs iniciaram projetos para ajudar na causa, como a Casa Sofia, que fica no Jardim Ângela na Zona Sul de São Paulo.No Brasil, para atingir os homens adultos, a Lei Maria da Penha, no artigo 35, prevê a existência de centros para educar e reabilitar agressores. Porém são pouquíssimas as vagas disponibilizadas pela rede pública e elas não podem ser ocupadas por estupradores nem homicidas.

A Casa Sofia possui o Projeto Construindo Novos Valores, desenvolvido pela assistente social Rosita Cruz, que oferece um trabalho exclusivo para homens que cometem ou cometeram violência contras as mulheres. Os encontros individuais e em grupo acontecem semanalmente.

“O Projeto Construindo Novos Valores é um espaço de escuta, reflexão e responsabilização para homens autores de violência doméstica. Ele têm por objetivo sensibilizar a Sociedade e, em específico, os homens autores de violência contra a mulher, sobre as implicações da desigualdade de gênero e as possibilidades de mudança de comportamento.  Também são discutidos temas como ‘o lugar do homem na sociedade’, ‘a construção dos papéis de gênero’, ‘a violência em geral e contra as mulheres’. Os trabalhos com os homens são realizados por meio da metodologia de grupos reflexivos de gênero onde cada participante é tratado como responsável da violência contra a mulher. São utilizados os temas: gênero; relações de gênero; Direitos Fundamentais; masculinidade; direitos sexuais e reprodutivos; dinâmicas de grupo; noções de relações família e de casal e noções de psicopatologia” – explica Rosita Cruz, responsável pelo projeto.

Que mudanças o trabalho traz para os homens?

Segundo Rosita Cruz, existe uma conscientização pessoal e uma melhora significativa no comportamento dos agressores atendidos. Após algumas sessões, é notável uma melhora na qualidade das relações familiares e sociais e uma maior sensibilização da família para a resolução de conflito familiar. Os encontros fazem com que os agressores vejam que ninguém nasce violento, e que é possível controlar seu comportamento quando ele se esforça para isso.

Saiba mais:

Para mais informações da Casa Sofia e do projeto, ligue para (11) 5831-3053 / 5831 5387 (escritório) / 0800 770 3053 ou envie um e-mail para casasofia@santosmartires.org.br.

Baixe aqui apostila “Vamos falar sobre masculinidade?”