A alegria do chamado e os escolhidos de Deus

Muitos acreditam que Deus chama apenas alguns para segui-lo mais de perto e deixa de lado os outros. Em um olhar atento ao Evangelho, encontramos Jesus convidando diferentes pessoas para tornarem-se seus discípulos (Mt 4,18; 9,9; 19,21). Essa era e continua sendo sua pedagogia.

Mas será que o chamado de Deus à intimidade e ao seguimento radical de Jesus é somente para alguns? Podemos ver em João (6,37-38) que Jesus afirma: “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim, de maneira alguma, o lançarei fora”, e, em Mateus (22,14), ainda acrescenta: “Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”. Esses versículos e tantos outros que falam do povo escolhido nos dão a certeza da predileção de Deus.

Todavia não podemos nos esquecer de que João também diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Assim como em Mateus (7,7-8), Jesus afirma: “Peçam, e será dado; busquem e encontrarão; batam, e a porta será aberta. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e àquele que bate a porta será aberta”.

Através da história da salvação, coroada com a entrega de Jesus à morte por toda a humanidade (Jo 3,16), podemos ver claramente um Deus que a todos convida (Mt 28,18-20), ama e envia (Mt 24,14). O chamado assim está colocado para todos os seres humanos, mas o mandato é dado àqueles que aceitam e respondem positivamente ao convite de construir o Reino de Deus.

Portanto Jesus chama todos para segui-lo mais de perto, a permanecer, de forma íntima e pessoal, no seu amor. Mas Ele respeita nossos limites e nossa resposta. Deus dá igualmente sua graça a todos os seus filhos, mas não atua de forma invasiva em nossa vida. Somos vocacionados, chamados à missão, já escolhidos para formar o corpo de Cristo, cada um desde um estado de vida específico, por exemplo, no matrimônio, na vida religiosa consagrada, como leigo, etc.

Nosso caminho se faz aos poucos, na comunidade de fé – Igreja. O Espírito Santo nos inspira a descobrir, pelo discernimento, qual é o estado de vida que nos levará a viver, com alegria, nossa vocação!