A diversidade nos enriquece, e o respeito nos une

Aos poucos, nossas escolas estão retomando e ganhando vida novamente. Porque escola só tem vida e alegria quando tem gente. Gente com G maiúsculo, aberta às possibilidades e que goste de gente. Por esse motivo, após viver oportunamente, em 2020, o tema “Escola viva, vê, sente e cuida”, em meio a um confinamento involuntário e necessário, nós nos tornamos mais resilientes e resistentes.

Agora, abrindo este novo ano, ainda com muitos cuidados e protocolos, apresentamos o novo tema: “A diversidade nos enriquece, e o respeito nos une”.

Antes de continuar, pare e pense um instante: o que esse tema provoca em você?

A cada ano, inspirados pela Campanha da Fraternidade, os educadores da Rede de Educação, juntamente com as irmãs, participam do processo de elaboração e de escolha do tema transversal. O tema escolhido e lançado no início do ano letivo é responsável por permear e inspirar todas as ações pedagógicas e as vivências em nossas comunidades educativas.

Falar em diversidade, respeito e unidade é sempre genial e desafiador. Genial porque diz respeito ao que buscamos como humanidade e pelas conquistas já realizadas. Desafiador por compreender que temos ainda um grande caminho a ser trilhado, em que a educação tem um papel fundamental.

É fundamentalmente na escola que, além de pensar este e outros temas, temos a possibilidade de conviver com pessoas tão diferentes da gente, construindo relações harmoniosas e de respeito.

Por isso ainda precisamos aprender muito sobre a diversidade. Precisamos entender que muitas são as visões de mundo, não uma única, e que somente com essa compreensão poderemos entender o outro em sua individualidade. Cada cosmovisão tem seu valor. Para isso, precisamos nos colocar em atitude de bons ouvintes e observadores, deixando de lado nossas formas impositivas. Pelo diálogo, conseguimos entender que todos cabem neste mundo, cada qual do seu jeitinho.

Não por acaso, quando comecei a pensar e escrever sobre este tema, caiu em minhas mãos o livro Ideias para adiar o fim do mundo, o qual recomendo a você.

Segundo Ailton Krenak, vivemos uma lógica atual que “suprime a diversidade, nega a pluralidade das formas de vida, de existências e de hábitos. Oferece o mesmo cardápio, o mesmo figurino e, se possível, a mesma língua para todo mundo”. Talvez porque estejamos ainda condicionados a uma única ideia de ser humano e a um único tipo de existência possível. Por isso somos convidados a desconstruir essa concepção e fazer novas escolhas.

Afinal, “definitivamente não somos iguais, e é maravilhoso saber que cada um de nós é diferente do outro, como constelação. O fato de podermos compartilhar esse espaço, de estarmos juntos viajando não significa que somos iguais, significa exatamente que somos capazes de atrair uns aos outros pelas diferenças, que deveriam guiar nosso roteiro de vida”.

Com essa última ideia do líder indígena Krenak, deixo aberta nossa reflexão para o ano de 2021, convidando você e sua escola para ampliar nosso círculo de reflexão, a fim de contribuir na construção da sociedade que buscamos.

Agostinho Travençolo Júnior
Educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS