A experiência de quem contraiu a covid-19

A pandemia causada pelo novo coronavírus, causador da covid-19, entrará para os livros de História. O evento mexeu com quase tudo na vida, não apenas na saúde pública: das relações comerciais e diplomáticas aos contextos escolar, religioso; da experiência do luto ao cotidiano de pessoas, famílias. Neste espaço, você conhecerá o testemunho de quem viveu a experiência de ser infectado. Se você também passou pelo mesmo problema, fique à vontade para partilhar quais foram os aprendizados e o que você tem a agradecer. Veja alguns depoimentos:

“Qual nossa essência moral, espiritual e social?”

A pergunta que não quer calar: covid-19, quem é você? China, o que é isso? A covid era 19 e nos roubou 2020 inteiro! Pelo jeito, vai invadir também nosso 2021. Aqueles que fazem aniversário se esforçam para encontrar motivos para comemorar, soprar as velinhas de um ano, mas, infelizmente, não há muito o que brindar, mas muito a chorar! E por quanto tempo mais vamos chorar?

Amigos se foram. Parentes não estão mais com a gente. A incerteza, o medo nos rodeiam. A saudade e o distanciamento apertam o coração e angustiam a alma. Não basta apenas sermos fortes, é muito além disso e, talvez por isso, as pessoas ainda não conseguiram entender que a essência e o valor de tudo se relativizou.

Sapatos da Arezzo? Perfume Givenchy? Produtos de maquiagem? Quem disse Berenice? Boticário? Mara Mac? Roupa da Farm, Renner, Cantão, Riachuelo, Animale? Qual a real importância de tudo isso?

Não quero dizer que não gosto disso, mas sim que, num período como este, temos de refletir e discernir do que somos constituídos. Qual nossa essência moral, espiritual e social? Pois é com base nessa consciência que nos reergueremos para esse novo normal que está por vir. E aí, quem sabe, começar a viver mais humanamente, verdadeiramente felizes!

Susete Maria da Silva Vieira Parreira
Gestora educacional do Colégio imaculado coração de Maria
Rio de Janeiro

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“Vivenciar essa experiência me fortaleceu”

Quando você recebe o resultado “detectado” no teste de covid-19, um buraco se abre, pois tudo é incerto diante do novo vírus. Eu me senti numa montanha-russa de sintomas e sentimentos: um dia, na reta, em plena recuperação; no outro, de cabeça para baixo, num looping, sem energia sequer para me levantar, para me alimentar. Manter-se com bons pensamentos, em oração, fortaleceu-me para superar esse momento tão difícil, pois não sabemos o rumo do vírus em nosso corpo. Passamos dias isolados de quem mais amamos. Uma loucura! Vivenciar essa experiência me fortaleceu. As mensagens diárias de carinho me encheram de esperança de que tudo ia passar e que eu ficaria bem. Que possamos valorizar o que de fato é importante em nossas vidas: um abraço, a família e o amor.

Magda Cristina Bastos do Nascimento
Coordenadora pedagógica do ensino fundamental I
Rio de Janeiro-RJ

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“Somos seres vulneráveis”

Estar mergulhado numa pandemia já é uma experiência inusitada e, quando nos encontramos sentindo, efetivamente, o efeito em nosso organismo, a proporção se torna maior, pois qualquer certeza que pudéssemos vislumbrar, ela não existe. Não existe por não sabermos que rumos seus efeitos fisiológicos tomarão. Somos seres vulneráveis, e a grande lição desta pandemia é nos dar a oportunidade de entender que a espiritualidade é a mola propulsora que nos faz agir. Rever nossa relação com Deus e nos aproximar a Ele, que pode ser pelo amor ou pela dor e, infelizmente, a humanidade necessitou que fosse pela dor. Valorizar o simples, amar e expressar esse amor, estar disponível ao próximo e vivenciar a beleza da gratidão.

Sandra Demetrio Pereira
Gestora administrativa do Colégio imaculado coração de Maria
Rio de Janeiro

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“Fortaleceu o lamento pelas diferenças sociais no tratamento da doença”

“O que não me mata me fortalece”, disse Nietzsche e assim ilustro o que ficou após eu passar pela dor e pela insegurança, ao ser infectada pelo vírus da covid-19. Fortaleceu a importância do autocuidado. Fortaleceu o vínculo com as pessoas que se preocuparam comigo. Fortaleceu o lamento pelas diferenças sociais no tratamento da doença. Fortaleceu a convicção de minha missão de ajudar o meu próximo. Fortaleceu, sobretudo, a fé em Deus, que, mesmo na condição de fragilidade humana, perante os mistérios da finitude da vida, sempre, sempre é maior que tudo!

Alice Takahashi Pires
Pedagógica do ensino fundamental 1 do Colégio Espírito Santo
São Paulo-SP