A importância da educação escolar para a sexualidade

Imaginem um grupo de adolescentes no pátio da escola, uns de cabelos coloridos, curtos ou longos, lisos ou encaracolados, tênis com cadarços desamarrados ou não, calças rasgadas porque é estilo! Celulares na mão, trocando ideias, conversando pelos aplicativos e buscando as novidades e postagens dos colegas, ou simplesmente ouvindo suas músicas prediletas. Uma diversidade de cores, sons, pensamentos e particularidades.

Jovens que passam por muitos questionamentos, incertezas e indefinições, mas que estão procurando a felicidade, com certeza. Na busca de informações sobre as mudanças físicas, biológicas e psíquicas da puberdade, bem como procurando sua aceitação pelo grupo de amigos. Os mais tímidos evitam perguntas, e os mais despachados conversam sobre assuntos íntimos, e a maioria faz aquela pesquisa em sites às vezes não muito confiáveis.

É função da família e da escola assistir esses jovens no percurso para a vida adulta, de forma saudável, com respeito à diversidade, para que eles atuem numa sociedade inclusiva, baseada nos direitos humanos.
Vale a pena mencionar a diferença entre educação sexual e educação para a sexualidade. A educação sexual inclui todo o processo informal pelo qual aprendemos sobre a sexualidade ao longo da vida, por meio da família, religião, comunidade, livros ou mídia.

Já a educação para a sexualidade é um processo curricular de ensino e aprendizagem sobre os aspectos cognitivos, emocionais, físicos e sociais da sexualidade, contribuindo para a formação de cidadãos e cidadãs, e a garantia de seus direitos.

A UNESCO do Brasil sugere que “A educação em sexualidade pode ser entendida como toda e qualquer experiência de socialização vivida pelo indivíduo ao longo de seu ciclo vital, que lhe permita posicionar-se na esfera social da sexualidade. O sistema educacional tem a tarefa de reunir, organizar, sistematizar e ministrar essa dimensão da formação humana”.

Cumprir essa importante tarefa é, antes de tudo, buscar a interação família-escola, como mencionado anteriormente, pois as primeiras abordagens sobre o tema ocorrem no âmbito familiar e, nesse sentido, a escola vai ampliar o conhecimento e o acesso a informações qualificadas e cientificamente corretas. Também vai orientar os jovens sobre a transição da infância para a vida adulta e sobre os desafios físicos, sociais e emocionais que enfrentam nesse processo.

Sabemos que é na educação que podemos encontrar esse caminho para a formação integral dos jovens, a fim de conduzi-los a uma vida adulta plena, com respeito à diversidade e portadores de atitudes inclusivas.

“As manifestações da sexualidade afloram em todas as faixas etárias. Ignorar, ocultar ou reprimir são respostas habituais dadas por profissionais da escola, baseados na ideia de que a sexualidade é assunto para ser lidado apenas pela família. Na prática, toda família realiza a educação sexual de suas crianças e jovens, mesmo aquelas que nunca falam abertamente sobre isso. O comportamento dos pais entre si, na relação com os filhos, no tipo de ‘cuidados’ recomendados, nas expressões, gestos e proibições que estabelecem, são carregados dos valores associados à sexualidade que a criança e o adolescente apreendem.”
BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: orientação sexual. Brasília: Ministério da Educação, 1997. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/pcn/orientacao.pdf

Inara Gonçalves
Professora de Ciências e Biologia no Colégio Sagrado Coração de Jesus, Belo Horizonte-MG.







Referências
UNESCO BRASIL. Orientações técnicas de educação em sexualidade para o cenário brasileiro: tópicos e objetivos de aprendizagem. Brasília: UNESCO, 2013. Disponível em: http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/FIELD/Brasilia/pdf/Orientacoes_educacao_sexualidade_Brasil_preliminar_pt_2013.pdf

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: pluralidade cultural e orientação sexual. (v. 8). Brasília: Ministério da Educação, 1997.