A pessoa e a educação, uma relação profundamente cristã

Ao refletirmos sobre o processo educativo, nossa mente será levada a lembranças de nosso tempo escolar, amizades e tantas aventuras vividas. Não há problema algum em trazer à memória essas lembranças. Estas podem apresentar-se como brecha para refletirmos sobre a relação entre educação e pessoa.

Somos seres de relação e construção de cultura, somos seres dependentes e independentes em nossa forma de pensar e existir, e, para que tudo isso tenha sentido, a “educação” tem papel fundamental. Segundo o dicionário Michaelis, educação define-se por ato ou processo de educar(-se), e no caso de uma escola missionária, afirmamos que educar é um ato ou processo de educar a partir de três palavras: escuta, mediação e compreensão.

Somos uma instituição que “educa”, não de modo aleatório, mas a partir do Evangelho e de um projeto que tem a pessoa humana no centro. Valorizamos tanto suas potencialidades como suas fragilidades. Nesse processo educativo, faz-se importante “ir além dos muros da instituição de ensino e experienciar as diversas oportunidades presentes no desenho dos territórios educativos em um contexto de crescente singularidade de grupos populacionais de convivência, acelerado pelos processos de globalização, das mobilidades e geridos pelo diálogo multicultural” (Texto-Base da CF 2022, n. 137).

Buscamos ensinar de modo a libertar a mente a uma reflexão humanizada, crítica e responsável.

O ensino de Jesus é libertador. […] De alguma forma, ele libertou a todos com sua sabedoria e seu amor. Libertou os acusadores de matar aquela mulher e, ao lhes tocar a consciência, ocasionou a consequente revisão da própria vida. Libertou a mulher de ser apedrejada e abriu-lhe nova oportunidade de vida. Partindo de perguntas ao redor de um fato, Jesus ilumina também, com a verdade da misericórdia e do valor da pessoa humana, os membros do povo que ali estavam e assistiam à cena. Tudo nos leva a concluir que ensinar é libertar o ser humano das muitas amarras impostas pelo pecado, pelo legalismo, pela insensatez, pelo ódio, pela falta da fraternidade (Dom João Justino Silva, 2022).

Portanto, nós nos perguntamos: como, porém, pensar a humanidade? Pensar a humanidade a partir da educação, a partir da experiência, a partir da solidariedade. Pensar uma nova humanidade que educa olhando para o outro, que estabelece parâmetros de justiça, paz e fraternidade. “Essa é a chave. O novo humanismo deve principiar na ‘relação’, no ‘jogo’ do ser humano com seus iguais, com a natureza e com Deus” (Ercilia Magaldi, 2022).

Referências

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Campanha da Fraternidade 2022: Fraternidade e Educação: “Fala com sabedoria, ensina com amor” (cf. Pr 31,26): texto-base. Brasília: Edições CNBB, 2022.

MAGALDI, Ercilia Simone D. A pandemia e um novo humanismo. Vida Pastoral, São Paulo, a. 63, n. 345, p. 36-43, maio/jun. 2022. Disponível em: https://www.vidapastoral.com.br/edicao/a-pandemia-e-um-novo-humanismo/. Acesso em 13 jun. 2022.

SILVA, João Justino de Medeiros. Fraternidade e educação. Vida Pastoral, São Paulo, a. 63, n. 344, p. 4-11, mar./abr. 2022. Disponível em: https://www.vidapastoral.com.br/edicao/fraternidade-e-educacao/. Acesso em 13 jun. 2022.

Lucas Fortunato Carneiro é professor de Ensino Religioso e coordenador da Dimensão Missionária no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG.

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