Bem-aventurada Madre Josefa Stenmanns: uma grande missionária para todos os tempos

Quem é a Bem-aventurada Madre Josefa Stenmanns? Ela é cofundadora da Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo. Ela nos deixou um grande exemplo de amor, de acolhimento e de entrega ao Espírito Santo. Vamos conhecer sua vida e missão, seguindo algumas passagens de sua trajetória guiada pelo Espírito Santo.

Desde cedo, Hendrina, nome de batismo, recebeu a iniciação na vida espiritual. Sua mãe plantou em seu coração as sementes de bondade e fidelidade. A partir de 6 anos, Hendrina ia à missa todas as manhãs, antes da escola. Após a primeira comunhão, recebia os sacramentos a cada semana.

Aos poucos, desenvolveu seu estilo próprio de felicidade e alegria. Simplesmente por sua presença e bondade, ela tinha o dom de alegrar os outros e consolá-los na dor e nas dificuldades. Também tinha os olhos e o coração voltados para os necessitados da vila onde morava. Tinha uma palavra de carinho para cada um. Todos os dias, visitava doentes, idosos e pessoas abandonadas. Ela cuidava deles e os consolava. Conseguia ler o sofrimento interior e a dor dos outros.

Em sua comunidade paroquial, cultivava a oração e as visitas a Jesus. Praticava atos voluntários de penitência. Levava a sério a lei do jejum. Participava da peregrinação anual a Kevelaer, lugar de encontro com Nossa Senhora, Consoladora dos Aflitos.

O sopro do Espírito é movimento e vida. Hendrina se transformou numa jovem madura em busca do futuro. Apesar do trabalho e da assistência aos necessitados, ela queria algo mais. Rezava o terço e breves orações durante suas atividades. Em seu coração, sentia crescer o desejo de comprometer-se totalmente, seguindo mais de perto o Senhor.

Aos 19 anos, entrou na Ordem Terceira de São Francisco. Foi franciscana da Ordem até entrar em Steyl. Viveu intensamente esse período e cumpriu as exigências da Ordem Terceira: desejo sincero de perfeição; prática da renúncia e da humildade; virtudes da fé, esperança e caridade; fortaleza, paciência e perseverança no sofrimento e adversidade. Em seu coração, crescia o desejo de seguir o Senhor.

Indo pela primeira vez a Steyl, reconheceu o sopro do Espírito pelo clima de oração e missão que não a deixou em paz. A semente plantada em seu coração na infância e juventude e o sopro do Espírito Santo se tornaram mais visíveis.

Assim, depois de muitos anos de espera e amadurecimento, tomou uma decisão definitiva: urgia dar o passo decisivo. Pediu que Santo Arnaldo Janssen, Fundador da Casa Missionária de Steyl, a recebesse como empregada. Na carta ao Fundador, escreveu: “Pedi a luz do Espírito Santo, para que eu seja guiada conforme a vontade de Deus, para aquilo que ele planejou desde a eternidade”. O desejo de entrar na Casa Missionária nunca a deixou. Estava certa de ser destinada a participar do trabalho da propagação da fé.

Essa é Hendrina partindo para Steyl. Deixou família, profissão e paróquia para arriscar um passo novo em seu seguimento do Senhor.

“Vem, Espírito Santo!” era sua constante oração. Era fiel no compromisso de aprofundar a contemplação da presença de Deus em seu coração e nas pessoas. Cultivava o silêncio e a contemplação. Sua sintonia com Deus fez dela uma religiosa de profunda sensibilidade e simplicidade, de espontaneidade e proximidade com as irmãs e com as pessoas com quem se relacionava. Dizia às irmãs: “Rezem muito para que o Espírito Santo, que nos uniu pelo amor, também nos conserve no amor. Ele é o Pai de amor e de bondade”.

Sendo uma mulher de grande bom senso, de compaixão, amor e generosidade, sua presença irradiava paz, alegria e calor humano. Sua espontaneidade, sua maneira amiga e benevolente criou uma atmosfera favorável à escuta e ao diálogo, e todas as suas palavras expressavam amor, bondade e sinceridade.

Nos tempos difíceis da comunidade e nas dificuldades pessoais, sempre dizia: “Seja feita a santa vontade de Deus”. Demonstrava sensibilidade atenta à vontade do Senhor. Era uma testemunha viva dos ensinamentos que passava aos outros. Ao se aproximar de alguém, era acolhedora e atraente, capaz de conquistar logo a confiança das pessoas. Sabia como construir pontes aos outros e criar um sentido de comunidade.

O amor profundo à Eucaristia era, para Madre Josefa, uma fonte de vida, que, por sua vez, encontrou expressão concreta em seu amor aos pobres, doentes e necessitados, enquanto ainda estava em casa, antes de sua ida para Steyl.

Vemos, em sua vida, uma entrega incondicional à vontade de Deus, vivida na alegria e gratidão, com convicção e liberdade interior. E, apesar de suas muitas atividades, ela não caiu no ativismo, achando sempre tempo para a contemplação e oração.

Desenvolveu o espírito missionário e assim escreveu ao Fundador: “Desejo nada mais que, com a graça de Deus, ser a última e sacrificar-me pela obra da evangelização”.

Se houver uma frase que possa resumir adequadamente a vida de Madre Josefa, acreditamos ser esta: se cumprirmos fielmente todas as nossas tarefas, estaremos prontas a comparecer diante de Deus quando Ele chamar. Rezemos diariamente: pronto está meu coração, ó Deus, pronto está meu coração! Fala de um desejo, disposição, entusiasmo, abertura, amor, liberdade interior. Ela rezou e viveu por um objetivo: abrir cada coração ao amor. Para isso, ofereceu sua vida com uma prontidão total, sem limites e condições.

“Ó Coração tão bondoso, quero amar, agir e sofrer em ti. Purifica-me de tudo o que ainda é meu e transforma-me em ti.” Essa transformação final e essa purificação total ocorreu, acima de tudo, durante a longa e dolorosa doença terminal.

Foi naqueles meses que Madre Josefa repassou às irmãs uma herança preciosa que constitui, ao mesmo tempo, seu testamento que lhe dera luz, força e orientação em todas as situações: “Vem, Espírito Santo! Vem, Espírito Criador!”. Essa oração era sua vida, sua própria respiração, e ela queria que fosse a respiração de suas filhas espirituais. Entre ansiedade e esperança, entre vida e morte Madre Josefa sofreu muito durante sua longa doença terminal. Sempre de novo sofria de fortes crises de asma e, no fim, começou a sofrer de edema. Alternava entre ansiedade e esperança, entre vida e morte. Olhava o crucifixo com confiança para implorar consolo, força e coragem de Jesus Crucificado.

No dia 20 de maio de 1903, às 13h45min, Madre Josefa entregou-se ao abraço de Deus para sempre, ao sopro do Espírito Santo a quem consagrara toda a sua vida. Em seu testamento espiritual, ela nos diz: “A respiração de uma serva do Espírito Santo deverá ser: ‘Vinde, Espírito Santo’”.
Hoje, com muita alegria e gratidão, cantamos:

“Sempre foi assim o seu canto:
Vinde, vinde, Espírito Santo!
Meu respirar vibra tanto no amor do Espírito Santo.
Vinde, vinde, Espírito Santo!”

Irmã Heloise, Cláudia Matos, SSpS, membro do Conselho Provincial, pedagoga e psicóloga, faz parte da Dimensão Missionária das Escolas e é orientadora espiritual dos grupos de MLDUT.

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