Quem, durante a vida, não pediu a bênção a seus avós? Quantas vezes você passou as férias ou foi refugiar-se na casa da vovó e do vovô? Brincou, lanchou, passeou na casa deles?
Muitos de nós viveram (e, ainda hoje, muitas crianças vivem) mais com os avós do que com os pais. Eles são muito importantes em nossa formação. É comum vermos os avós levarem as netas e os netos para a escola, quando bem pequenos. Estes, quando crescem, voltam para a casa deles, para visitá-los e até ajudar a cuidar. Alguns dos vovôs e vovós já se foram e deixaram muitas saudades…
Durante a Copa do Mundo, a equipe de Cabo Verde foi admirada pela atuação de seu goleiro, que ficou famoso por suas defesas. Ao pesquisarem sua história, descobriram que havia uma personagem importante em sua vida, rendendo ao arqueiro o apelido de “Vozinha”. A história de sua infância destacou o papel das avós. Há muitos adultos e muitas crianças em que essa história se repete.
Muitas vezes, há vários motivos de os avós receberem suas netas e seus netos em suas casas: ou os pais trabalham fora, ou estão separados, ou moram no mesmo terreno, o que estreita sempre mais os laços afetivos entre avós, bisavós e até trisavós. Todavia, muitos vovôs e vovós, infelizmente, são maltratados, alguns explorados e até abandonados, seja em suas casas ou internados em instituições, o que os deixa tristes.
Não seja omisso ao ver ou saber de violência contra a pessoa idosa. Denuncie! Disque 100 e tecle 2 – Direitos Humanos; ou disque 180, em caso de violência contra a mulher; 136 – Disque Saúde, em caso de precisar de orientação do SUS; para o número 192, se precisar chamar para alguma urgência ou emergência em saúde. Se for para orientação sobre benefícios sociais e rede de proteção, procure o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) ou o CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) de seu Município. Procure valorizar e respeitar os mais velhos, proporcionar-lhes bem-estar.
Jesus também teve avós, Sant’Ana e São Joaquim, os pais de Maria. A Igreja Católica celebra esses santos no dia 26 de julho. Na cultura judaica, as bênçãos de Deus são passadas dos mais velhos para os filhos, e assim sucessivamente. Esse gesto tornou-se uma tradição no cristianismo. Nesse sentido, em 2021, o Papa Francisco instituiu, nessa data, a Jornada dos Avós e das Pessoas Idosas.
Segundo o Pontífice:
“Somos convidados a ‘sair de casa’, a ter os olhos e o coração abertos aos outros. A nossa revolução passa pela ternura, pela alegria que sempre se faz proximidade, que sempre se faz compaixão […] e leva a envolver-nos, para servir na vida dos outros. A nossa fé faz-nos sair de casa e ir ao encontro dos outros para partilhar alegrias e sofrimentos, esperanças e frustrações” (Papa Francisco, homilia na Basílica Menor do Santuário da Virgem da Caridade do Cobre, Santiago de Cuba, 22 set. 2015).
Desde então, todos os anos, a Pastoral da Pessoa Idosa (PPI) celebra essa data no quarto domingo de julho. Procure saber em sua comunidade onde será a Jornada dos Avós e organize esse dia. Costuma haver algum evento para a comemoração.
Segundo dados do IBGE divulgados em 17 de abril de 2026, o Brasil tem aproximadamente 35 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Em porcentagem, representa 16,6% da população total do País. O aumento do envelhecimento demográfico brasileiro está concentrado nas regiões Sudeste e Sul. Essa transição de faixa etária tem sido um alerta para a necessidade de adaptação de políticas públicas, pois demonstra impactos nas áreas da previdência, da saúde e do mercado de trabalho. Está previsto que, em 2030, haja mais pessoas idosas do que crianças de 0 a 14 anos.
Assim, se você tem vovô e vovó ou já está no grau de parentesco “avô” ou “avó”, procure cuidar e cuidar-se. Busque os direitos das pessoas idosas, valorize o protagonismo, permitindo-se entrosar em grupo de amigos, de lazer, de atividades físicas, de viagens, de oração, de estudos, fortalecendo, assim, a rede de apoio e de solidariedade para sua vida e daquelas pessoas que o rodeiam.
Vivamos a fraternidade, a proximidade e o afeto com os vovôs e as vovós, levantando sua autoestima, encorajando para fazer atividades, visitando-os e auxiliando-os quando as condições, principalmente a de caminhar sozinho, não sejam tão boas, tendo paciência e compreensão com seus movimentos e jeito de ser, porque, um dia, todos vamos envelhecer.
Antropóloga e filósofa, líder na Pastoral da Pessoa Idosa.
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