Colégio Espírito Santo e comunidade Xerente estreitam laços

Pensar a Casa Comum e a saúde de nosso planeta tem a ver com uma reflexão profunda sobre a atuação humana, a qual deve refletir em ações concretas que possibilitem a continuidade da existência da vida na Terra. E não é de hoje que falamos sobre isso, porém nossas ações ainda são muito tímidas. Quem sabe a esperança esteja no brilho dos olhos das crianças da etnia xerente?

Educadoras e alunos das turmas de infantil 5, primeiros e segundos anos do Colégio Espírito Santo, de São Paulo-SP, refletindo sobre o poder da partilha e da educação, conversaram sobre a responsabilidade que temos de manifestar atitudes de amor e de cuidado para com todas as pessoas que fazem parte de nossa “Casa Comum”. Nasceu, então, o projeto “Natal da Casa Comum”, que teve como propósito trabalhar a importância do reconhecimento do outro e das atitudes de amor ao próximo.

A comunidade indígena Xerente, localizada no Estado do Tocantins, foi um dos muitos espaços alcançados pelas manifestações de afeto de nossos alunos. Um livro virtual foi encaminhado às crianças que estudam na escola da aldeia. O presente foi recebido da melhor forma possível. Segundo Wakukepre, professor na escola do povo xerente, os alunos realizaram batismos do material como manifestação de gratidão pela troca de conhecimento, de acordo com a tradição da etnia.

Foi pensando não somente em nossa relação com as pessoas, mas também em nossa Casa Comum e na saúde de nosso planeta que pretendemos, por meio desse projeto, possibilitar um espaço de troca e reflexão profunda sobre o sentido de sermos humano e, assim, buscarmos ações concretas que possibilitem a continuidade da vida na Terra. Respeitar e reconhecer diferentes culturas é questão fundamental como comunidade escolar. Receber o retorno do projeto “Natal da Casa Comum”, que foi apenas uma pequena manifestação das reflexões que buscamos estimular em nosso cotidiano escolar, e poder compartilhar o resultado dessa ação coletiva só reforça a importância do trabalho que buscamos desenvolver como educadores missionários.

Ponte intercultural

Outra parceria foi realizada com a ajuda das missionárias servas do Espírito Santo que trabalham com a etnia xerente. Por meio de diálogos de aproximação proporcionado com lideranças da comunidade indígena, nossos educadores vêm realizando trocas de livros, outros materiais didáticos e experiências educativas. A experiência já criou uma ponte intercultural e de fraternidade.

Em fevereiro, foram encaminhados aos xerentes diversos materiais escolares e um valor em dinheiro para que eles pudessem adquirir roupas para as crianças da comunidade. A doação também possibilitou a compra de material esportivo para os pequenos, que adoram praticar o futebol.
Assim, seguimos cheios de esperança, conseguindo encontrar nas crianças, nas comunidades indígenas, nas atitudes de cuidado, afeto, amor ao próximo, justiça social e tolerância, a cada dia, a cultura de paz que almejamos.

Beatriz Von Lasperg Careli é professora do Colégio Espírito Santo, e Agostinho Travençolo Junior é assessor Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo.