Começar de novo… todo dia!

Estar vivo já seria motivo suficiente para que cada um de nós interrompesse esta leitura que agora se inicia e se transportasse para uma atitude de gratidão e encanto pelo dom da vida. Você pode experimentar esse encantamento aí, agora, passando a ler, de forma vagarosa e pausada, estas palavras, ficando alguns segundos em silêncio, observando-se e observando o mundo à sua volta.

Mas, se depois desse respiro, você ainda quiser continuar esta leitura, convido você para um striptease, um abrasileirado “estripitize”. Para deixar o ano de 2020 nascer, fecundar, brotar e nutrir nossos sonhos, será preciso nos despir. Na humildade de quem sabe que ninguém é perfeito e tampouco sabe todas as coisas, o convite é para que consigamos fazer um giro de desprendimento de amarras, medos, prepotências, arrogâncias e “viseiras” que insistem em nos habitar.

Pontos de vista não nascem com as pessoas… Criam-se, formam-se, educam-se, socializam-se, propagam-se e ativam-se.

Para fazer esse exercício de nudez, não será necessário tirar a roupa, como num clássico “estripitize”, basta um pequeno exercício cotidiano. Vamos enxergar o mundo, livre de “pré-conceitos” e plenos de abertura para com o outro e para com o desconhecido. É assim que a gente se renova, é assim que a gente deve receber esse novo ano, é assim que a gente deve nascer cada dia deste ano que se inicia.
É ano novo todo dia. Todo dia, temos uma nova chance de nos desnudar, de seguir, de repensar, de ajustar a rota, de buscar novas alternativas, de perdoar, de acolher, de viver nossa deliciosa imperfeição e incompletude. Estarmos no mundo que é atravessado de conexões complexas, muitas vezes imperceptíveis, que exige de cada um de nós uma abertura para aquilo que não vivemos diretamente, que nem conhecemos, que nos é estranho e longínquo.

Temos em nós uma pertença universal, uma pertença espiritual, humana, planetária que deve nos implicar no comprometimento essencial, criando campos de intercessão e empatia, despindo-nos do que não importa:

  • a cor da pele importa quando ela representa a nossa diversidade;
  • a crença religiosa importa, pois nos diz da multiplicidade de caminhos de fé e espiritualidade
  • o país de origem importa, porque nos dá a dimensão étnica;
  • a orientação sexual importa quando reafirma que qualquer maneira de amor vale a pena;
  • a desigualdade social importa quando nos alerta para o combate à injustiça social;
  • a inclusão social importa quando nos comprometemos a ajudar a escancarar as portas e promover oportunidades;
  • a diversidade cultural importa, porque nos coloca diante da magnitude da humanidade;
  • a ética importa, porque nos transporta para um mundo de possibilidades;

    Que 2020 nos encontre leves e desnudos para novas conquistas e aprendizados.

Maria José Brant (Deka), assistente social, estudante de Antropologia, analista de políticas públicas no Programa Bolsa Família, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.