Cuidar da vida e se defender do coronavírus

Um ser extremamente minúsculo, o coronavírus, ganhou destaque nos noticiários internacionais, mudando a vida das pessoas em diferentes países. Além de causar mortes e muito medo, está desencadeando uma crise econômica sem precedentes. Embora tão pequeno, esse vírus está sendo capaz de parar diversos países do chamado “Primeiro Mundo” e já chegou também ao Brasil.

Diante desse quadro, é natural que todos nós estejamos preocupados e buscando informações do que devemos ou não fazer. E nós, missionárias servas do Espírito Santo, que temos como vocação o cuidado com a vida, estamos muito atentas e buscando a melhor maneira de colaborar para conter essa pandemia o mais rápido possível.

Ter informações corretas e tomar as medidas necessárias é indispensável em situações como esta, em que pequenas atitudes pessoais podem fazer a diferença e salvar a vida de pessoas que sequer conhecemos. O momento exige consciência e responsabilidade. É necessário cuidar de si mesmo e dos outros, pois, conforme nos lembra o Papa Francisco, na Encíclica Laudato Si’, estamos todos interligados.

Nesta entrevista, convidamos a médica geriatra Dr.ª Sílvia Bitar que, desde 2013, cuida de nossas irmãs idosas da Comunidade do Santana, em São Paulo-SP. Ela vai nos orientar quanto aos cuidados necessários para evitar o contágio e proteger a vida, especialmente das pessoas mais vulneráveis.

Doutora Sílvia é especialista pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e pós-graduada em cuidados paliativos e, acima de tudo, uma profissional capaz de se colocar no lugar de quem sofre e de buscar todos os meios para garantir uma melhor qualidade de vida para seus pacientes. Vale a pena seguir suas recomendações.

Irmã Ana Elídia C. Neves: Doutora Sílvia, o coronavírus está se alastrando rapidamente também no Brasil. O que os meios de comunicação estão falando, em sua opinião, é real ou há uma dose de exagero?

Dr.ª Sílvia Bitar

Doutora Sílvia Bitar: O coronavírus já é considerado uma pandemia. Existe uma preocupação que considero real, pois é um vírus cuja disseminação é muito alta e que tem uma maior mortalidade em idosos. Temos de tomar cuidado com o excesso de informação, que está gerando um pânico na população e pode acabar fazendo com que as pessoas tomem atitudes irracionais. Os meios de comunicação têm um papel importante de educar e de orientar as pessoas em relação às medidas que devem ser tomadas.

Ir. Ana Elídia: Como o covid-19 oferece mais riscos para pessoas idosas, que medidas preventivas instituições como a nossa e outras que cuidam de pessoas idosas devem tomar?

Dr.ª Sílvia: Estamos tomando algumas medidas para proteger nossas idosas, como treinar e educar os funcionários: orientar de não trabalhar em caso se febre e, ou, sintomas respiratórios, reforçar a aderência a medidas de prevenção e controle de infecções, como a lavagem das mãos com água e sabão, álcool gel e uso correto de materiais de proteção individual, como luvas e máscaras… Também recomendamos reduzir as atividades em grupo e evitar concentrar grande número de pessoas em áreas de convivência, inclusive evitar saídas para consultas e exames de rotina. Orientamos também isolar no quarto a pessoa idosa com quadro respiratório e o profissional a utilizar os equipamentos necessários de proteção.

Ir. Ana Elídia: E as famílias que têm pessoas idosas em casa, o que devem fazer para diminuir os riscos de contágio e não expor seus idosos ao coronavírus?

Dr.ª Sílvia: O ideal é que o idoso evite sair de casa neste momento e as pessoas que moram na casa tomem todos os cuidados de proteção. Principalmente evitar contato físico. Também tomar as medidas de prevenção de infecção. Em caso de algum familiar ficar doente com sintomas respiratórios, será necessário isolá-lo em algum cômodo. Quando possível, pode ser interessante utilizar mascara em área coletiva.

Ir. Ana Elídia: Nós também temos escolas e nos preocupamos com as crianças e jovens, suas famílias, professores e colaboradores… A senhora tem alguma recomendação especial para o cuidado de crianças e jovens?

Dr.ª Sílvia: As crianças parecem estar mais protegidas do covid-19. Geralmente, os sintomas são leves, e muitas não apresentam sintomas. A vacinação deve ser estimulada nessa faixa etária. Tendo em vista a necessidade de evitar aglomerações e reduzir o volume do transporte público para prevenir a disseminação do coronavírus e assim evitar sobrecarga dos sistemas de saúde, todas as escolas do Estado de São Paulo terão as atividades gradualmente suspensas a partir do dia 16 de março, até a suspensão completa no dia 23 de março. Devemos ter uma atenção especial com as crianças com problemas respiratórios crônicos e imunodeprimidas. Também acho importante conscientizar e educar os jovens.

“Atitudes individuais podem ajudar o coletivo.”

Ir. Ana Elídia: Que atitudes ou comportamentos podem ajudar a conter o coronavírus?

Dr.ª Sílvia: Orientar os pacientes a evitar aglomeração, etiqueta do espirro e manter as medidas básicas de higiene das mãos. Sintomas gripais leves podem ser tratados em domicílio. Pacientes com sinais de alarme, como febre persistente, falta de ar e queda do estado geral, devem ser encaminhados ao pronto atendimento. Uso de máscara para os indivíduos com sintomas respiratórios. Evitar contato físico, como aperto de mãos, abraços e beijos.

Ir. Ana Elídia: Que lições, em sua opinião, podemos aprender com o coronavírus e suas consequências para o mundo?

Dr.ª Sílvia: Acho que as pessoas estão mais conscientes em relação à necessidade de medidas de higiene e prevenção de infecção. Atitudes individuais podem ajudar o coletivo. Ao mesmo tempo, nosso papel como profissional de saúde é orientar a população a tomar medidas conscientes. Na Espanha, estão homenageando os profissionais de saúde que estão cuidando dos pacientes infectados, pois, enquanto a população está isolada em suas casas para evitar que o vírus se espalhe, os profissionais estão expostos para cuidar dos doentes. Cada indivíduo tem seu papel na sociedade para ajudar a combater essa pandemia.

Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpS
Jornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

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