Todo mundo precisa de dinheiro para viver. A luta de cada dia gira muito em torno do ganhar dinheiro. Num mundo competitivo como o nosso, a busca por ele é ferrenha. Pois todos querem ter vantagens nos negócios. Quem emprega precisa de lucro, quem é empregado quer seus direitos, quem é autônomo não pode perder tempo, pois “tempo é dinheiro”, como diz o ditado.
O dinheiro nunca é suficiente. Quem tem muito quer mais, quem tem pouco luta para ter mais. Muitas vezes, a luta é desigual, quem tem mais recursos consegue mais facilmente acumular mais; quem tem poucos recursos não consegue economizar para acumular mais.
Dia vai, dia vem, e a preocupação com o dinheiro não sai da agenda de ninguém. Parece até uma sina. Quanto mais tem, mais quer. Nunca se tem o suficiente. Na verdade, é uma obsessão de muita gente. Vive em função do dinheiro, por causa dele, sacrifica outros aspectos da vida necessários para ter vida de gente. Veja, por exemplo, aqueles que não têm mais dia de descanso porque “precisam” trabalhar, aqueles que não se reúnem com amigos para uma festa porque vão gastar, aqueles que não dormem direito porque têm contas a pagar, aqueles que não veem os próprios filhos porque trabalham, aqueles que não cuidam da saúde porque tudo é muito caro, aqueles que se escravizam para estar na moda da calça de marca, do sapato novo, do celular top de linha.
É, parece que o mundo gira em torno do dinheiro. Parece não ser exagero dizer que ele tomou o lugar de Deus. Deus, para muitos, tornou-se coisa secundária; só, de vez em quando, entra na agenda. Deus já não é mais alguém que norteia a vida, que aponta para condutas éticas, que indica horizontes transcendentes. Deus tornou-se uma espécie de utilidade “doméstica”, só serve ocasionalmente.
Muitos se perderam na fé que herdaram e já não sabem onde a expressar, se nas Igrejas católicas ou evangélicas, ou em outros rituais, ou mesmo consideram que tudo é a mesma coisa, por isso tanto faz. As convicções religiosas já não se sustentam, porque, no emaranhado da vida, estas se extraviaram no meio de tantas preocupações para sobreviver.
Deus, para muitos, já deixou de ser resposta e nem sequer é pergunta. Deus perdeu a aposta na vida de muitos, foi trocado pelo dinheiro e não conta mais nas horas de tomar decisões. Deus ou o dinheiro, eis a questão! Qual a importância de um e de outro em nossa vida?
Por um lado, o dinheiro é necessário porque ele é o meio mais comum para se obter aquilo que é preciso para viver. Daí se justifica a importância do trabalho para ganhá-lo honestamente. O mal não está no dinheiro, o mal está quando nós o tornamos senhor de nossas vidas, isto é, o colocamos acima de tudo e de todos.
Ele não pode tirar o sossego do descanso nem impedir as relações de amizades verdadeiras, não pode suprimir o tempo necessário para a relação amorosa com a família. Ele não pode ocupar os espaços interiores, onde se escondem os desejos da alma que quer outras respostas.
Deus é necessário à vida. Sem Ele, ela se torna vazia e sem horizontes. E daí, para que serve o dinheiro se ele acaba junto com a morte? A vida quer respostas que não terminem no cemitério, e estas só se encontram naquele que venceu a morte.
Nós precisamos basicamente de resposta para duas questões fundamentais da vida: por que viver? E para quem viver? Quem optou pela resposta oferecida pelo dinheiro, vai dedicar-se, de corpo e alma, para obtê-lo, e talvez o terá, dependendo das circunstâncias, e vai ter um relativo gozo que ele oferece até que a morte chegue. Depois estará sem futuro.
Quem optou por Deus como prioridade encontrará sentido para suas lutas, e suas esperanças não terminam com a morte. Talvez não tenha todo o dinheiro que outros como ele têm, mas terá paz em seu coração, pois sabe por que vive e em quem colocou suas esperanças.

