Todos temos a experiência do amor em nossa vida. Sem ele, não teríamos sobrevivido. Contudo, o amor tem seus desafios para enfrentar. Nem sempre o desejo de amar se torna experiência vivida, pois ele encontra barreiras no desamor. O amor é força em nós que se digladia quando se depara com nossas fragilidades e egoísmos, e nossos pecados. O lugar onde ele sempre se manifesta, porém, é no encontro com o outro e se expande nele, pois é ali que acontece o teste se é ou não verdadeiro. Ninguém consegue amar sozinho, é necessário que o outro faça parte; caso contrário, o amor fica no ar, sem chão.
O teste do amor se verifica na capacidade de ir ao encontro do outro, mesmo quando este não está disposto a aceitá-lo. O amor não precisa pedir licença, pois ele não se impõe como força limitadora do espaço do outro, mas, sim, favorece sua ampliação.
O amor é poliglota. Sem precisar falar línguas diferentes, comunica-se com todos. Os canais por onde ele se transmite são independentes e cruzam fronteiras sem precisar de passaporte, porque ele é livre de preconceitos, sustenta-se por força própria que traz de suas origens. O amor não pede para servir, serve mesmo não sendo convidado. Ele não depende da aceitação do outro, porque é desinteresseiro, nem violenta a liberdade de ninguém. Não julga nem põe condições, simplesmente se oferece como dão.
O amor não depende da beleza do corpo nem da inteligência, nem de cultura ou raça. Ele se faz presente no coração de todos que lhe dão guarida, independentemente do sangue que corre nas artérias. Ele é capaz de suportar as incompreensões e injustiças, não se deixa abater por nada. O amor não depende de religião, não faz diferenças entre credos. Ele é capaz de carregar em suas asas livres o que há de melhor no ser humano. Sua capacidade de se transcender para doar-se por inteiro voa bem longe para abraçar até quem é desconhecido.
O amor não impõe condições para se manifestar, é livre e independente de filosofias ou interpretações distorcidas que se fazem dele. O amor é generoso, dá mais do que o outro pede, abre mão de direitos, se isso contribui para o bem do outro. Não se esgota nem se cansa, mesmo que o corpo esteja exausto. O amor não se vende nem se compra, é sempre dom.
O amor não precisa de diploma para ensinar, pertence à escola da vida, que amplia seu aprendizado cada vez que se exercita e ama alguém. Está disponível dia e noite, basta a presença do outro para despertá-lo. O amor é capaz de tudo, inclusive de dar a própria vida.
O amor é profecia que anuncia bens presentes e futuros, ele ressoa nas vibrações que transmite, transpondo montanhas para chegar aos que estão distantes, para aproximá-los. Ele perdoa quando alguém ofende, é misericordioso com aquele que é frágil, é solidário com quem tem necessidade, é paciente e espera, não se precipita, é compreensivo com o ignorante, não julga apressado nem tira proveito do ingênuo. Oferece guarida ao desamparado, é pacífico e não carrega rancor, acolhe o inimigo e deseja seu bem.
É samaritano que se aproxima e cuida de quem está ferido no caminho. Contrapõe-se ao ciúme e não alimenta inveja, aplaude o sucesso do outro. O amor é capaz de tudo isso porque ele nasceu antes do coração de Deus. Como diz São João, Deus é amor e nos amou por primeiro. Graças a isso, o amor humano tem a condição de transcender-se, ampliar-se. Não há horizonte que o bloqueie, porque ele tende a ser eterno.
O pecado é o entrave que se posiciona contra ele, mas não tem poder de anulá-lo. Quando o coração humano se abre para o amor que vem de Deus, ele é mais forte e supera as forças contrárias que queiram dominá-lo. Até a hora de nossa morte, ele vai acompanhado da esperança e da fé. Despede-se delas e vai sozinho ao encontro do Amor original, onde se plenifica e eterniza. Disso tudo o amor é capaz…
Padre Deolino Pedro Baldissera, SDS
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