Educação infantil: o início de uma jornada de formação e transformação para crianças e famílias

Ao pensarmos a etapa da educação infantil, é fundamental considerar que ela não é somente início da educação básica; é também o primeiro contato da criança com um grupo social além de sua família. É nesse momento que a criança e seus familiares passam a conviver com pessoas diferentes, partilhando os cuidados e a responsabilidade em um espaço de coletividade, mediados pelos profissionais que atuam na escola. A escola é, portanto, o segundo espaço de formação logo depois da família.

Os profissionais da educação que atuam diretamente com a primeira infância precisam ter a consciência de que, ao receberem uma nova criança, acolhem também os adultos que, pela primeira vez, serão pais e mães de alunos e alunas. Assim como seus filhos e filhas, descobrirão novos sentimentos, novas expectativas, novas inseguranças, novos conflitos, novas frustrações e construirão novos saberes, novas relações e novos vínculos afetivos. 

É nesse espaço escolar, no qual diversas relações começam a ser estabelecidas, para adultos e crianças, que se faz necessário equilibrar aquilo que é desejo/expectativa pessoal com aquilo que é valor/necessidade do grupo. A escola, afinal, é o primeiro ambiente da coletividade (que reflete conflitos, valores, angústias, hábitos e conquistas da sociedade na qual está inserida) do qual a criança e a família participarão. 

Sendo a escola um espaço de formação e de descobertas pessoais e coletivas, a proposta pedagógica deve, portanto, trazer como estrutura-base os valores que, independentemente de crenças ou escolhas pessoais, devem permear todas as relações humanas e o ambiente. 

Ao longo da primeira infância, profissionais da educação e familiares compartilharão a responsabilidade de desenvolver habilidades e ensinar valores que a criança levará para as próximas etapas de sua vida. Mas como ensinamos? 

Todos os adultos envolvidos em tal processo devem ter a consciência de que suas atitudes, ações e reações sempre afetarão as crianças de alguma maneira, e serão modelos para elas. Nessa etapa, a criança passa por muitas transformações: aprende a se locomover, aprende a se comunicar, aprende a identificar o que sente e o que quer, aprende a expressar tais necessidades, aprende a ter cuidados básicos consigo mesmo, aprender a perceber e a cuidar do outro, aprende a esperar, aprende a persistir, aprende a superar seus medos, aprende a desenhar, aprende a escrever, aprende a lidar com suas frustrações, aprende a identificar o que gera um risco para si e para o outro, aprende a se perceber como parte de um grupo social e, através dos modelos que tem, dentro e fora da escola, aprende a conviver em sociedade.

A cada proposta trazida para a rotina escolar, a cada temática de investigação, a cada encontro com as famílias, a cada brincadeira sugerida, a cada campanha iniciada, a cada reflexão proposta, a cada mediação de conflito, aquilo que é fundamental para as relações humanas e para o convívio saudável e respeitoso deve ser considerado e praticado. Assim, durante esses anos que iniciam, educam, ensinam e transformam tantas pessoas, é preciso ter a convicção de que valores como respeito, cuidado, partilha, justiça, empatia, humildade, coragem, responsabilidade (entre outros) contribuirão para que as crianças sejam, no futuro, adultos melhores do que somos hoje.

 

Nathalia Fernandes Soares

Coordenadora pedagógica da Educação Infantil no Colégio Espírito Santo, São Paulo-SP. 

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