Jubileu da Educação destaca o papel das religiosas na formação das novas gerações

“Garantir o direito à educação significa afirmar a dignidade de cada pessoa, romper os ciclos de exclusão e semear a paz. As irmãs estão lá.”

A irmã Miriam Altenhofen, superiora-geral da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS), membro do conselho executivo da UISG (União Internacional das Superioras-Gerais), expressou esse sentimento no congresso internacional “Constelações educacionais: um pacto com o futuro”. O evento foi realizado em Roma, no 60º aniversário da Declaração Gravissimum Educationis, sobre a educação cristã, documento aprovado no Concílio Vaticano II (1962-1965). O congresso fez parte da programação do Jubileu do Mundo da Educação, no âmbito do Jubileu de 2025: Peregrinos de Esperança.

As reflexões foram abertas pelo cardeal José Tolentino de Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação. Entre os palestrantes, estiveram educadores, arcebispos, bispos e o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2023, Jon Fosse.

Em seu discurso, a Ir. Miriam enfatizou o papel das religiosas e da Igreja Católica na educação, fundando escolas e universidades, muitas vezes nos lugares mais remotos e inacessíveis. O objetivo não é apenas transmitir conhecimento, mas proporcionar uma educação integral e construir uma sociedade baseada na solidariedade e na justiça.

“Como religiosas, contribuímos com uma parte essencial para esse tipo de educação e formação integral.”

A superiora-geral das SSpS listou as numerosas áreas onde as irmãs estão presentes, como em favelas, creches e jardins de infância: “De forma sinodal, as congregações religiosas femininas constroem pontes e desenvolvem redes, criando sinergias para uma educação abrangente, tanto formal quanto não formal”.

As irmãs se esforçam para incutir valores cristãos nos corações de seus alunos, para que se tornem cidadãos responsáveis que contribuam para tornar o mundo um lugar melhor. A Ir. Miriam concluiu seu discurso com um apelo à colaboração: “Vamos trabalhar juntos, vamos formar uma ‘constelação’, como a chama o cardeal Tolentino, com governos, comunidades religiosas, educadores e famílias, para garantir que toda criança, todo jovem, em todos os lugares, possa aprender, crescer e contribuir com seus dons para o mundo”.

A seguir, veja o discurso completo da Ir. Miriam, intitulado “Educar para a esperança e a dignidade humana: a contribuição vital das religiosas”:

 

Bom dia a todos e todas e muito obrigada pelo convite para participar deste importante painel.

A educação é um pilar fundamental dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, adotados em 2015. O ODS 4 é dedicado à “Educação de qualidade”, que visa a garantir que todas as crianças concluam os ensinos fundamental e médio gratuitos e de qualidade.

A educação não é um privilégio para poucos. É um direito humano fundamental, enraizado na dignidade de cada pessoa criada à imagem de Deus. Assim afirma o artigo 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O Papa Francisco nos lembra, por meio do Pacto Global para a Educação, que a educação é sempre um ato de esperança: um investimento no futuro da humanidade e de nossa Casa Comum.

A realidade ainda está longe de alcançar esse objetivo: basta olhar para Gaza, Síria ou Ucrânia. É impossível oferecer educação de qualidade num ambiente caracterizado por violência, guerra, pobreza extrema e falta do mais básico, como comida e água. Esses lugares são apenas um exemplo, entre tantos outros, onde crianças e jovens não podem ir à escola ou vão com o estômago vazio.

A Igreja Católica, especialmente as religiosas, tentam preencher essa lacuna. A Igreja é um agente-chave global, administrando o maior sistema escolar não governamental do mundo. A Igreja sempre entendeu a educação como parte de sua missão.

Em 2019, o Papa Francisco lançou um convite ao diálogo sobre como estamos construindo o futuro de nosso planeta. Segundo o Papa Francisco, toda mudança requer um processo educativo voltado para o desenvolvimento de uma solidariedade universal e de uma sociedade mais acolhedora. Ele endossou um Pacto Global para a Educação, com o objetivo de reacender nosso compromisso aos jovens e com os jovens, renovando nossa paixão por uma educação mais aberta e inclusiva (Vademécum do Pacto Educativo Global).

Durante séculos, congregações religiosas, movimentos leigos e instituições católicas fundaram escolas e universidades em todo o mundo; muitas vezes, nos locais mais remotos e difíceis. O objetivo nunca foi apenas transmitir conhecimento, mas formar a pessoa em sua integridade (mente, coração e espírito) e construir uma sociedade baseada na solidariedade e na justiça.

Como religiosas, contribuímos, de modo essencial, para esse tipo de educação e formação holística. Estamos presentes em todos os setores da sociedade. Estamos organizadas na UISG, a União Internacional das Superioras-Gerais, com mais de 1.900 congregações femininas que respondem a problemas críticos do mundo atual. De maneira sinodal, as congregações religiosas femininas constroem pontes e desenvolvem redes, criando sinergias para uma educação integral, tanto formal quanto informal. Religiosas são encontradas em bairros periféricos, à margem da sociedade, educando e capacitando especialmente meninas e mulheres. 

Elas estão presentes em creches, jardins de infância e em todos os níveis de educação, inclusive na universidade, exercendo seus diversos carismas e servindo aos necessitados. Geralmente, as religiosas estão próximas de outras mulheres, pais e famílias. Colaboram com parceiros missionários leigos e outras organizações e instituições. Buscam objetivos culturais bem como a formação humana e espiritual. Esforçam-se para incutir valores humanos e cristãos no coração de seus alunos e ajudam crianças e jovens a crescerem e se tornarem adultos responsáveis, que desejam contribuir para um mundo melhor. Eles prestam atenção à suave música das relações e à nossa interconexão, como seres humanos, com o mundo natural e todo o cosmos. Tudo está interligado, e dependemos uns dos outros e de nossa Mãe Terra.

Garantir o direito à educação é afirmar a dignidade de cada pessoa, romper os ciclos de exclusão e plantar sementes de paz. As religiosas estão lá presentes.

Vamos trabalhar juntos, vamos formar uma “constelação”, como a chama o cardeal Tolentino (governos, comunidades de fé, educadores e famílias), para garantir que cada criança, cada jovem, em todos os lugares, possam aprender, crescer e contribuir com seus dons para o mundo.

Nas palavras do Papa Francisco: “Educar é sempre um ato de esperança”.

Que essa esperança se torne realidade.

 

Irmã Miriam Altenhofen, SSpS

 

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Equipe de Comunicação SSpS Brasil, com informações da UISG.

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