Natal de Jesus! Seja luz!

Chegamos no período do Natal. Os enfeites são sempre bem-vindos. Cores como o vermelho vivo e o verde esperança estão presentes nas bolas das árvores de Natal, nas toalhas, nos guardanapos, nas roupas. Mas o que não pode faltar? As luzes! Para isso, as velas e as lâmpadas são acessas durante os dias e as noites natalinas. Mas quem inventou a vela? De onde vem a tradição das velas de Natal?

Os romanos, por volta dos anos 500 a.C., inventaram velas enormes, feitas com sebo. Depois surgiram velas feitas de gordura de baleia na China, entre 221-206 a.C., na dinastia do imperador Chin. Na Índia, as velas eram feitas com canela, para serem colocadas nos templos. Naquele período, no Tibete, também era usada a manteiga de Iaque. Conforme alguns estudos, o óleo feito de azeitonas era disponível para confecção de velas, porém, em partes da Europa, da África e do Oriente Médio, esse recurso permaneceu desconhecido por longos anos. 

Alguns registros no dicionário Jizhupian, de 40 a.C., sugerem que se utilizava cera de abelha para fabricar velas, principalmente na dinastia Han, entre 202 a.C. e 220 d.C., e na dinastia de Jin entre 265 e 420.

Contudo, a partir do século XVIII, foram criadas novas velas chinesas. Também os japoneses passaram a fabricar velas, mas feitas com cera extraída de nozes. Os povos indígenas da região do Alasca usavam para iluminação o óleo do peixe eulachon. Com o comércio, após o colapso do Império Romano, o azeite era comum para lâmpadas de óleo, mas a grande parte da Europa utilizava as velas.

Os fabricantes de velas eram conhecidos por “ladrilhos”, por utilizarem restos de gordura coletadas da cozinha das lojas. O cheiro do sebo, a gordura de vacas ou ovelhas, muito comum no padrão das velas na Europa, era muito forte e desagradável, por isso o componente foi banido da fabricação. Mais tarde, quando se descobriu a cera de abelha, considerada excelente para a produção de velas, ficou restrita aos mais ricos e para as igrejas, devido às despesas. 

No século XVIII, na Inglaterra e na Franca, a fabricação de velas tornou-se artesanato. A partir de 1300, em Londres, foi fundada a Tallow Chandlers Company e, em 1456, foi-lhe concedido um brasão. Desde 1415, as velas de sebo foram usadas na iluminação pública. Com a descoberta do óleo de colza, derivado da planta Brassica rapa, passou-se a fabricar velas que produziam chamas claras e sem fumaça. Os químicos franceses Chevreul (1786-1889) e Gay-Lussac (1778-1850) introduziram, em 1825, a estearina, que tinha origem animal, mas não continha glicerina. 

 

O significado da vela de Natal

 

A expressão “vela de Natal” se refere a um objeto decorativo e simbólico. É associada à luz, à esperança e à colaboração nas celebrações de Natal. Vai além de um simples bem decorativo; representa a luz que ilumina as trevas. Simboliza a chegada de Jesus Cristo, Luz do Mundo.

As velas de Natal, no início, tinham influências de tradições pagãs e cristãs. Como o Natal europeu acontece no inverno, antigamente, as velas eram acesas para afastar os maus espíritos e trazer boa sorte. Com o advento do cristianismo, as velas passaram a simbolizar a Luz de Cristo, refletindo a esperança e a renovação que o Natal traz.

No Advento, as velas são quatro, acessas em cada um dos quatro domingos antes da celebração do Nascimento de Jesus. Algumas velas aromáticas são utilizadas para criar uma atmosfera acolhedora e festiva durante o clima de Natal.

Na decoração natalina, é comum também colocar velas no centro das mesas, entre guirlandas e castiçais de vários tamanhos e cores, para criar um efeito aconchegante nas reuniões familiares e nas celebrações. Assim, o uso criativo das velas de Natal proporciona um ambiente encantador, irradiando paz e serenidade.

Nas tradições familiares, é comum acender velas durante a ceia de Natal, fazer orações e cantar como símbolo de união e amor. As velas passam a ser um elo entre gerações, transmitindo valores e tradições, fortalecendo, assim, laços familiares. Nas festividades da Apresentação do Senhor (celebração também chamada popularmente de Nossa Senhora da Candelária, em 2 de fevereiro) e de Santa Luzia (13 de dezembro) também as velas estão presentes de modo especial.

Todavia, com toda essa simbologia das velas de Natal, são necessárias algumas precauções. As velas devem ser colocadas em superfícies estáveis, resistentes ao calor, longe de materiais inflamáveis e de crianças e animais de estimação. Devem-se usar velas de qualidade, para queimar de maneira segura, protegidas de ventos que possam levar a chama para lugares com risco de incêndio.

É Natal de Jesus! Que, na alegria das velas de Natal, as luzes apontem para a verdadeira Luz que nunca deixa de brilhar em nossos corações. 

Seja luz aonde for e estiver, para que a esperança e o amor cheguem a todas as pessoas e famílias, transformando o mundo em lugar de paz.

 

Maria Terezinha Corrêa

Antropóloga e filósofa, membro da Comissão de Prevenção e combate à tortura (ALESC), líder da Pastoral da Pessoa Idosa.

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