Novena de Pentecostes: segundo dia – “Vinde, pai dos pobres”

 

Vinde, pai dos míseros,

vinde, doador dos bens,

vinde, luz dos corações.

 

Cantar, rezar ou escutar o Veni Sancte Spiritus (Vinde, Espírito Santo).

Vinde, Santo Espírito,

e mandai-nos lá do céu

um clarão de vossa luz.

 

Vinde, pai dos míseros,

vinde, doador dos bens,

vinde, luz dos corações.

 

Ó melhor consolador,

e das almas hóspede,

e suave alívio.

 

Sois descanso no labor,

sois a calma nas paixões

e conforto em nossa dor.

 

Bem-aventurada luz,

inundai os corações

dos que vós santificais.

 

Sem a vossa inspiração,

nada existe em todos nós,

nada existe em nós bom.

 

Os pecados apagai,

fecundai nossa aridez,

a ferida em nós curai.

 

O que é rígido abrandai,

o que é frio aquecei,

o errado corrigi.

 

Dai, Senhor, a todos nós,

confiantes sempre em vós,

os sagrados sete dons.

 

Dai o prêmio a todos nós,

dai-nos salvação final,

dai-nos gozo eternal. Amém.

 

Introdução

Com o pedido: “Vinde, Pai dos míseros”, reunimo-nos diante do Espírito Santo, conscientes de nossa pobreza humana e de nosso profundo anseio por Deus.

Chegamos com o coração aberto, dispostos a reconhecer nossos limites, nossa vulnerabilidade e nossa necessidade do sopro de vida que vem de Deus. Essa verdade humilde pode tornar-se porta de entrada para a compaixão: por nós mesmos e por nossas irmãs e irmãos, especialmente por aqueles que sofrem com a pobreza e a injustiça.

 

Leitura: Lucas 4,18-19

O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu;

e enviou-me para anunciar a Boa-Nova aos pobres, para curar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a recuperação da vista, para libertar os oprimidos, e para proclamar um ano de graça do Senhor.

 

Meditar em silêncio por alguns momentos.

 

Reflexão

Ao longo de toda a Escritura, e de modo especial na vida de Jesus, encontramos um Deus que coloca os pobres no centro de sua atenção. É o Deus que escuta o clamor dos pobres e responde com amor, justiça e liberdade.

Os profetas levantaram sua voz contra toda forma de opressão e convidaram o povo de Deus a um novo olhar, a um coração capaz de perceber e proteger os mais frágeis. Somente o Espírito pode transformar nossos corações de pedra em corações de carne, abertos à compaixão e à solidariedade.

Na sinagoga de Nazaré, Jesus proclamou com clareza sua missão: anunciar a Boa-Nova aos pobres, libertar os oprimidos, devolver a visão e levantar os abatidos. Toda a sua vida foi expressão dessa missão.

Como seus discípulos, somos chamadas a participar dessa mesma missão. Somos convidadas a encontrar Cristo sofredor naqueles que são empobrecidos, excluídos ou feridos pelas injustiças do mundo.

Nosso 15º Capítulo-Geral aponta na mesma direção: “Impulsionadas pelo Espírito que dá vida, renovamos nossa paixão pela missão de Deus. Buscamos atravessar múltiplas fronteiras para encontrar as pessoas onde elas estão, especialmente aquelas que se tornaram invisíveis ou excluídas do nosso mundo”.

 

Meditar em silêncio por alguns minutos.

 

Em cada lugar, cultura e povo, o clamor dos pobres se expressa de diferentes formas e histórias, mas todos revelam o mesmo desejo sagrado por dignidade, justiça e pertencimento.

Ao invocarmos o Pai dos pobres, sejamos capazes de escutar e responder a esse chamado com renovada abertura, ecoando a clareza e a urgência expressas pelo Papa Francisco:

“Como seria evangélico se pudéssemos dizer, com toda verdade: nós também somos pobres. Só assim seremos realmente capazes de reconhecer que os pobres estão entre nós, de torná-los parte de nossa vida, de sermos seus amigos, de escutá-los, de compreendê-los e de acolher a misteriosa sabedoria que Deus quer nos comunicar por meio deles” (2021).

 

Canto à escolha sobre o clamor dos pobres ou um salmo

 

Oração meditativa com “mãos abertas”

A confiança da Bem-Aventurada Madre Josefa Stenmanns no Espírito de Amor estava profundamente unida à sua disponibilidade em reconhecer a presença de Deus nos doentes, nos pobres e em todos os que sofrem. Ela respondia com um coração compassivo, convencida de que cada gesto de misericórdia toca o próprio Cristo.

Suas palavras simples e profundas continuam a nos orientar: “Quem ajuda uma pessoa necessitada segura a mão de Jesus. Quem dirige uma palavra de consolo a quem está triste estende a mão a Jesus… Confiai firmemente na ajuda do Espírito Santo”.

 

Rezemos com as mãos abertas:

– Mãos abertas que expressam nossa dependência de Deus e o desejo de sermos conduzidas pelo Espírito.

– Mãos abertas que revelam nossa disponibilidade para receber e para dar; porque ninguém é tão pobre que nada tenha a oferecer, nem tão rico que nada precise receber.

– Mãos abertas que se estendem em cuidado e solidariedade para com aqueles que são invisibilizados, excluídos ou feridos no corpo ou no espírito.

– Mãos abertas que rezam e servem, lembrando, pelo nome, pessoas e situações que carregam pesos e necessitam de nosso apoio. (Podemos mencionar nomes ou situações concretas.)

 

Oração final

Espírito Santo, Pai dos pobres,

ensinai-nos a acolher nossa própria pobreza com humildade e confiança.

Abri nossos olhos para reconhecer Cristo sofredor em nossas irmãs e irmãos, especialmente naqueles que são esquecidos, excluídos ou sobrecarregados.

Tornai-nos pessoas mansas e corajosas, prontas a escutar, acompanhar e restaurar a dignidade.

Doador de todos os dons,

fazei de nós instrumentos de compaixão, construtoras de comunhão e testemunhas da vossa presença no mundo.

Espírito Santo, luz dos nossos corações, permanecei conosco em nosso caminho missionário.

Aquecei-nos com vosso fogo e dilatai nossos corações no amor inclusivo, para que possamos atravessar fronteiras e encontrar as pessoas onde elas estão.

Amém.

 

Canto final ao Espírito Santo.

 

 

Veja mais

 

1º dia – “Vinde, Santo Espírito”

 

 

Imagem principal: Thai Noipho (Istock).

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