O sal da vida cristã

Quanto mais Jesus nos mostra o amor de seu Abba (Pai) tanto mais espera nossa resposta gratuita a esse dom do amor. E esse é o sentido de ser sal em nós mesmos. Mas o amor não gera reações automáticas. Ele é mais uma disposição pessoal que se concretiza no bem comum e, por esse motivo, o discípulo deverá primeiro ser salgado no fogo.

“Todos serão salgados com fogo” (cf. Mc 9,49). Segundo a lei judaica, todo sacrifício devia ser salgado antes de ser devotado a Deus no altar (Levítico 2,13). Esse sal usado para o sacrifício era considerado o sal da Aliança (cf. Números 18,19). Jesus, na Nova Aliança, não preserva do sacrifício, Ele mesmo se faz sacrifício (cf. Lc 22,19-20). Nesse contexto, compreende-se que, antes de a vida do cristão ser aceitável a Deus, deve ser tratada com fogo.

No Novo Testamento, encontramos duas conexões referidas ao fogo. A primeira alude à purificação do pecado; e a segunda, à destruição. No caso, os primeiros cristãos vivenciaram a destruição na perseguição pela fé. Sob esse marco, compreende-se o ditado de Jesus (“Todos serão salgados com fogo”), no sentido de que a vida purificada pelo amor e a vida que enfrentou a perseguição por causa do Reino são agradáveis a Deus.

Na Contemporaneidade, nós, cristãos, vivemos em um mundo que propaga “a sociedade do bem-estar”. Diariamente assistimos a uma variedade de ofertas prometendo-nos “bem-estar pessoal” à custa do mal-estar dos outros. Estamos invadidos de produtos que vendem saúde, beleza, qualidade de vida… Por outro lado, temos uma captura biotecnológica da vida, produtora de mais-valia e rentabilidade. A avalanche de ofertas termina convencendo-nos inclusive da felicidade, mas o que temos é uma total manipulação da vida e, no fim, vamos tornando-nos “insossos”, sem paixão e incapazes de enxergar a realidade.

Nesse cenário, ressurge o dito de Jesus: “O sal é bom; mas se o sal se tornar insípido, como o retemperar?”. As características do sal são temperar e evitar a decomposição. Por isso resulta bem mais compreensível a insistência de Jesus para sermos sal, pois o cristão é enviado a viver numa sociedade corrompida, deprimida e cansada.

E é nessa realidade que o cristão é enviado para dar sabor, por meio da esperança, da pureza e da partilha de nossos bens e talentos. É nesse contexto que o nosso sal deve se espalhar para evitar a decomposição social.

Irmãos e irmãs em Cristo, sejamos sal, vivendo limpos do egoísmo e da corrupção, porque só a vida que está limpa e cheia de Cristo pode estar em verdadeira comunhão com os outros e com a criação!

Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e, atualmente, além de animadora vocacional, acompanha as jovens aspirantes na Comunidade Madre Josefa, em Belo Horizonte-MG.

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