O valor do respirar

Quanto vale respirar? Ao nascer, a criança chora quando recebe oxigênio em seus pulmões, demonstrando o impacto do ar adentrando em seu órgão respiratório. Conforme crescemos, experimentamos o quanto é saudável estar em contato com a natureza e respirar ar puro. Quem mora em grandes centros industriais, geralmente poluídos, quando pode, nos fins de semana ou feriados, dirige-se a um sítio ou litoral em busca de encontrar o verde das árvores, brincar e cuidar de algum animal ou contemplar o azul do mar, e respirar fundo.

Inúmeras criaturas precisam do oxigênio para respirar. E a principal produção de oxigênio para a vida do planeta Terra está presente nas árvores, nas florestas, nos bosques. Entretanto, infelizmente, nosso planeta anda sufocado com tanta poluição provocada pelas indústrias, a ponto de as pessoas, em alguns países, como a China, terem de usar máscara quando saem de casa para trabalhar, ir ao mercado ou passear, por causa do alto grau de gás carbônico. Com a pandemia, a situação se agravou.

De fato, todo ser vivo precisa respirar, mas o homem moderno, ao explorar as riquezas da natureza, tornando industriais as sociedades, comprometeu o combustível fundamental para ele mesmo. Ao lermos o livro de Gênesis, que diz sobre a Criação, aprendemos que tudo foi preparado para receber o ser humano, que, ao ser modelado do barro, ganhou um “sopro de vida” em suas narinas (Gn 2,7). Esse sopro lhe deu vida, significando que se abriram os pulmões. O contrário acontece quando se diz que a pessoa deu “o último suspiro” e deixou o corpo.

Você já reparou como é o formato dos pulmões?

Os alvéolos e os brônquios em conjunto se parecem com raízes de uma planta, sendo a traqueia como se fosse o tronco. Maravilhas da natureza! Somos o universo em microscópio. Somos conectados. Por isso, se a saúde do planeta é afetada, também atinge a saúde de todos nós, seres vivos. A Ciência tem nos alertado a todos para a importância de preservamos a natureza, de respeitarmos o meio ambiente, para o bem de todos.

O desmatamento, principalmente na Amazônia, a queima das matas, a exploração de madeiras e extração de minérios em terrenos de preservação ambiental têm afetado desastrosamente o respirar em todo o mundo, tanto dos seres humanos quanto dos animais. Há anos, o aquecimento global tem sido tema dos movimentos ambientalistas que lutam a favor da flora e da fauna, seja nacional ou internacional. Com a invasão do homem, que tem devastado o habitat dos animais, surgiu a covid-19, atacando principalmente o órgão respiratório, causando a pandemia que estamos vivendo.

Desde 2020, em plena pandemia, milhões de pessoas sentiram falta de ar e, em nosso País, mais de 240 mil já morreram por falta dele. A falta de oxigênio nos hospitais do Estado do Amazonas recorda o pedido do negro sufocado para respirar. Isso tudo não deixa de ser um apelo para pararmos com a violência de asfixiar nosso semelhante. Pararmos com a violência, não só física, mas também psicológica e ideológica. Respirar é fundamental para todos nós. O que fazer para que não falte oxigênio nos hospitais e em nosso planeta?

Para o planeta respirar, reflorestar onde foi desmatado. Plantando árvores, cada um de nós pode contribuir para que o bairro e a cidade tornam-se mais verdes, além de denunciar maus-tratos com a natureza, como desmatamento, poluição dos córregos, rios, mares; procurar preservar o meio ambiente; as indústrias respeitarem os acordos ambientais para diminuir a poluição. Para a saúde pública, fiscalizar e denunciar desvios de verbas, e descasos em relação ao acesso à saúde, como o caso dos cilindros de oxigênio. Individualmente, praticar ioga ou fazer exercícios respiratórios que ajudam a manter a saúde torácica.

Enfim, o valor do respirar é tão grande que o Criador nos concedeu de graça… Sinta o perfume das flores, o cheiro da terra molhada, a maresia, o pasto, o suor… Seja grato por respirar! Inspire e expire! Mas, enquanto a pandemia não acabar, continue usando máscara e lavando as mãos.

Maria Terezinha Corrêa
Mestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC, atualmente professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e combate à tortura pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, pertencente à Arquidiocese de Florianópolis-SC.