Obesidade infantil: será o novo mal do século?

A obesidade é uma doença multifatorial. Neste artigo, o foco será a obesidade infantil. Isso nos diz algo?

Ao analisar nosso entorno, percebemos pais cada vez mais ocupados, sem tempo de brincar e, ou, fazer atividades com seus filhos, e as crianças mais viciadas em eletrônicos, como celular e computador. 

A alimentação vem de produtos ultraprocessados, preparados rapidamente, com excesso de aditivos químicos que prejudicam nossa saúde. E, pior, refeições cada vez mais afastadas da mesa. Cada membro come em um canto da casa, debruçado sobre seu celular. 

É preciso pensar como é feita a alimentação da criança. Esta, por vezes, deixada sozinha, sem incentivo a uma alimentação em família e, muitas vezes, sem o consumo de comida de verdade. Tornando-as sempre mais seletivas nas escolhas, com dificuldade de aceitar principalmente frutas e verduras. Os pais, por não terem tempo de incentivar bons hábitos alimentares, oferecem e preparam somente o que criança aceita e quer.

Ainda nem falei do fator genético. A genética é uma das causas da obesidade, não a única. Nos parágrafos acima, citei as principais causas da obesidade. A genética é um fator pequeno comparado à reflexão feita.

A obesidade afeta 13,2% das crianças entre 5 e 9 anos, e pode acarretar consequências preocupantes ao longo da vida. Nessa faixa etária, 28% das crianças apresentam excesso de peso. Um sinal de alerta para o risco de obesidade ainda na infância ou no futuro. Entre os menores de 5 anos, o índice de sobrepeso é de 14,8%, sendo que 7% já apresentam obesidade (dados de 2019, conforme estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE).

A pandemia de covid-19 agravou essa situação, com impacto importante na alimentação de crianças e adolescentes, além do aumento do sedentarismo. A interrupção significativa na rotina das crianças gera impacto negativo na saúde mental e no bem-estar, e pode provocar um índice ainda maior de jovens com excesso de peso.

Como melhorar essa realidade? Primeiramente, entender onde começa o problema. O início de tudo se dá antes mesmo da fecundação, pais obesos, uso de álcool e drogas, sedentarismo, maus hábitos alimentares, níveis altos de estresse. 

Outro fator importantíssimo e que previne obesidade futura é a amamentação. As mães conhecem e respeitam a amamentação orientada pela Organização Mundial de Saúde, que é seis meses de amamentação exclusiva e, posteriormente, até dois anos ou mais? A média de aleitamento materno exclusiva no Brasil é de 54 dias. Se esse número fosse maior, talvez nossa realidade seria diferente. Após esse período, outro momento importantíssimo, já citado, é o período de alimentação, dos 6 aos 24 meses de vida do bebê. Essa fase é primordial para a formação de paladar e comportamento alimentar. É isso que guiará as escolhas alimentares do bebê no futuro. Entendemos por que a obesidade é multifatorial? São muitos os fatores envolvidos. 

Como tratar a obesidade? O que podemos fazer? Um profissional sozinho não consegue melhorar esse quadro. É necessário um empenho da família, envolvendo todos e, juntos, manter um novo comportamento alimentar; envolvimento da escola, oferecendo alimento que seja de qualidade nutricional e de incentivo; aulas de educação nutricional e alimentação saudável, com participação e envolvimento de nutricionista, médico, psicólogos, educadores físicos para mudar a realidade da família, com membros com obesidade e, ou, sobrepeso. 

Podemos ainda levar informação às famílias, de que é possível prevenir e tratar a obesidade infantil. Crianças que ingerem apenas nuggets e batata frita, com falta de frutas e verduras, não terão qualidade nutricional. Podemos mudar esse quadro, com informação. Quanto mais pessoas souberem do perigo que é a obesidade infantil, maior será a conscientização levada às famílias.

Dyane Corrêa

Nutricionista materno-infantil. Colégio Santos Anjos, em Porto União-SC. CRN8 10225. E-mail: dyanenutri@gmail.com. Instagram: @mamisnutri. Telefone: (42) 99965-4700.

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