Parabéns às famílias agricultoras, cultivadoras da terra

Você já pensou o que seria da população urbana se não tivéssemos o trabalho dos agricultores e agricultoras? Você se lembra de agradecer àqueles que cultivam a terra toda vez que come um alimento ou bebe um suco? Pois é, muitas vezes, damos importância aos trabalhos oriundos da tecnologia, mas esquecemos que todos nós dependemos dos lavradores e lavradoras que, com suas famílias, todos os dias, acordam e trabalham com a terra, arando, semeando, colhendo, etc.

Trabalhar numa indústria fabricando coisas, numa loja ou mesmo como funcionário em um órgão público não nos faz melhores que quem trabalha no campo.

O dia 25 de julho é dedicado aos agricultores e agricultoras familiares, pois merecem ser homenageados nos quatro cantos do planeta Terra. Mas, o que significa ser agricultor? Segundo o dicionário Aurélio, “Aquele que agriculta, lavrador”. E o que é agricultura? Conforme o mesmo autor diz, “Arte de cultivar os campos; cultivo da terra; lavoura; cultura. Conjunto de operações que transformam o solo natural para produção de vegetais úteis ao homem”.

O livro de Gênesis (ou Bereshit, na língua hebraica) narra a criação do mundo, quando tudo foi preparado para o homem ter alimento. “Que as águas debaixo do céu se ajuntem num só lugar e apareça o chão seco. E assim foi. Ao chão seco Deus chamou ‘terra’ […] E Deus disse: ‘Que enverdeça a terra de vegetação, ervas que semeiem semente e árvores que deem frutos sobre a terra, frutos que contenham semente por espécies. E assim foi. E a terra fez sair a vegetação, ervas que semeiam semente por espécies, e árvores que dão fruto com a semente por espécies” (Gn 1,9-12). Mas a narrativa apresenta o ser humano tendo de tratar a terra para manter-se, pois, ao conhecer o Jardim do Éden, também conheceu sua capacidade de dominar e reproduzir.

Ora, a partir daí, Deus disse: “Você comerá o pão com o suor do seu rosto…” (Gn 3,17-19). Embora parecesse um castigo divino, após o cultivo, as bençãos surgem na colheita dos frutos. E, como gratidão, o ser humano procura ofertar o melhor para o Criador, por meio de doação em um determinado período do ano; antes ofertado como sacrifício, depois passou a ser em forma de festa, como a festa das batatas, da uva, da mandioca, da melancia, do pinhão, entre outras.

Embora a terra tenha sido feita para todos, infelizmente, há bastante tempo, ela passou a ser cercada por uns que se achavam donos, provocando, assim, a desigualdade social. A miséria, a disputa e a ganância por explorar território, construir castelos, mansões, indústrias causam violências, assassinatos e muitas injustiças, como ainda hoje vemos ou ouvimos nas reportagens.

Muitos líderes que defenderam os pobres sem-terra foram assassinados em nosso Brasil. Podemos citar Pe. Josimo, Pe. Ezequiel, Margarida Alves, Ir. Dorothy, entre outros tantos que deram a vida em prol dos agricultores e agricultoras expulsas de suas terras, por causa de latifundiários ou empresas multinacionais.

Atualmente, há alguns projetos na Câmara ou no Senado que ameaçam a vida de muitas famílias agricultoras bem como as comunidades indígenas e quilombolas que também dependem e vivem da natureza. Em nosso país, o campesinato amazônida tem muito a ensinar ao campesinato de influência europeia, contudo ambos os grupos de agricultores do campo, seja na terra ou na várzea, todos buscam respeitar o ritmo da mãe terra que, generosamente, ainda nos oferece o alimento através das mãos cultivadoras.

Parabéns a todas as famílias agricultoras!

Maria Terezinha Corrêa
Mestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP, SBPC e APROFFIB, atualmente, professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, voluntária na Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC e na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.