Participação e solidariedade marcam assembleia

Todos os anos, as missionárias servas do Espírito Santo se reúnem em assembleia para aprofundar o ser missionário, partilhar e avaliar como estão vivendo a missão e crescer no benquerer e na comunhão. Neste ano, de 14 a 17 de novembro, elas se reuniram no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, com essa finalidade.

Encontraram-se as irmãs das comunidades do Tocantins, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, num total de 59 participantes presenciais. As que não podiam viajar se uniram às outras pela oração.

A Parábola do Bom Samaritano (Lc 10,25-37) perpassou todas as atividades e serviu de inspiração para as principais decisões da assembleia. O primeiro dia foi dedicado à formação, convivência e aprofundamento do texto bíblico. Marcou a jornada a celebração eucarística presidida pelo padre Lucas Herkt, missionário do Verbo Divino.

Para enriquecer a reflexão do Evangelho, as irmãs Maria de Fátima Marques e Heloise Matos, com o coordenador da Dimensão Missionária, Agostinho Travençolo, utilizaram dinâmicas de bibliodrama. Uma das irmãs representou o homem da parábola, agredido por bandidos. Todas foram convidadas a fazer a experiência de estar no lugar do sacerdote que viu o sofredor e não fez nada, do levita, que também passou adiante, e do samaritano que cuidou do homem ferido. Depois, em grupos, refletiram sobre a atitude do personagem escolhido, confrontando com a própria vida. Depois, no ato penitencial, cada grupo apresentou seu pedido de perdão.

À tarde, foi a liturgia eucarística. Em grupos, as irmãs prepararam as ofertas, refletindo sobre o amor que leva à solidariedade. Cada grupo esculpiu ou desenhou na areia o que queria ofertar e depois partilhou com a assembleia. Padre Lucas deu prosseguimento com o rito eucarístico.

Tudo está interligado

No momento da ação de graças, a assembleia expressou sua busca por alargar o círculo da comunhão com Deus, com a criação, com os marginalizados e excluídos, com os outros povos e culturas, e também entre as próprias irmãs. Para isso cantaram a música “Tudo está interligado”, composta pelo Pe. Cireneu Kuhn, inspirada na encíclica Laudato Si’. Com fitas coloridas, vivenciaram a união entre todas.

Nos três dias seguintes, a assembleia seguiu a metodologia do “ver, julgar e agir”. Para o “ver”, foram apresentados os relatórios das entidades religiosa, educacional e social: Instituto Trinitas, SEB e Redes. Também as equipes de Espiritualidade, Missionários Leigos de Deus Uno e Trino, Animação Vocacional, Comunicação e Centro Missionário partilharam o que estão fazendo.

Migrantes e indígenas

Um destaque foi a participação de alguns leigos e leigas que fazem parte da missão. O Centro de Integração dos Migrantes relatou a abrangência do trabalho realizado e a necessidade de um espaço maior e mais adequado para o acolhimento das crianças. As irmãs que trabalham com o povo xerente, no Tocantins, expuseram os desafios que enfrentam. Também cada uma das comunidades partilhou como está vivendo a comunhão, suas atividades missionárias e perspectivas de futuro.

Para o julgar, as irmãs se reuniram em grupos. Com base no estudo que fizeram nas comunidades, sobre justiça socioambiental e Psicologia na vida religiosa, destacaram a importância do cuidado com o meio ambiente, a solidariedade com os pobres e a busca de políticas públicas que respeitem a dignidade humana. Refletiram ainda sobre as atitudes que ajudam a crescer na comunhão, como o perdão, a justiça, a liberdade, o amor, o relacionamento, o desapego e a gratidão.

Outro tema foi o discernimento comunitário em preparação à eleição da delegada que participará, junto com a coordenadora provincial, Ir. Maria Percila Vieira, do 15º Capítulo-Geral da Congregação, marcado para o próximo ano, na Holanda. Irmã Maria de Fátima Marques foi eleita a delegada.

Irmãs Maria de Fátima e Maria Percila (ao centro), recebem o envio para representarem as Irmãs no Capítulo Geral.

Irmã Maria Percila Vieira avalia: “Crescemos na comunhão entre nós, no benquerer, no respeito e, como somos de diferentes países, também na interculturalidade. Experimentamos que é possível conviver e respeitar o diferente”. Destacou que procuram fazer a diferença nos locais onde estão e viver seu ser missionário hoje, na realidade de Brasil.

“Crescemos na solidariedade e estamos mais abertas aos excluídos e descartados pela sociedade. Junto com outras congregações, apoiando os grupos que precisam mais”, afirma Ir. Maria Percila. Segundo a coordenadora, ficou bem clara na assembleia a solidariedade com projetos concretos, especialmente com os migrantes e com os indígenas.

Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpS
Jornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

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