Você sabia que 1º de outubro é Dia Internacional da Pessoa Idosa? Essa data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1990, com o objetivo de a sociedade refletir sobre a dignidade, o respeito e os direitos das pessoas que tanto trabalharam pelo desenvolvimento das cidades, enquanto procuravam sustentar suas famílias.
A Constituição Federal de 1988, no artigo 230, assegura: “A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas…”. O reforço veio com a aprovação da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, no Brasil, o Estatuto do Idoso. Assim, o mês de outubro passou a reconhecer a importância da vida de todas e todos que têm idade igual ou maior que 60 anos. O envelhecimento passou a ter uma proteção social como direito fundamental, garantido às famílias brasileiras pelo Poder Público, pelo Estado. A regulamentação do direito à vida, à saúde, à educação, à cultura, à assistência e previdência social, ao lazer, ao esporte, à habitação e ao transporte passa a fazer parte das políticas públicas.
Com o crescente avanço da maior idade na população brasileira e no mundo, em 1999, o Papa João Paulo II escreveu a Carta aos Anciãos, que promoveu reflexões sobre a situação. Em seguida, em 2003, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou a Campanha da Fraternidade com o tema “Fraternidade e as Pessoas Idosas”. Isso sensibilizou a doutora Zilda Arns, médica, que havia fundado a Pastoral da Criança, a criar a Pastoral da Pessoa Idosa (PPI), em 2004.
Se considerarmos passagens bíblicas referentes a visitas às pessoas anciãs, como a aparição de Deus feita a Abraão (Gn 17), Maria que visita sua prima Isabel (Lc 1,36), a cura da sogra de Pedro (Mt 8,14-15), entre outras, há 21 anos os líderes
da PPI fazem visitas à casa de várias famílias pelo Brasil. Repassam não apenas orientações quanto à saúde, mas também leituras bíblias e orações que sejam do agrado da visitante.
Como se tornar um líder, uma líder da PPI? As arquidioceses ou dioceses costumam realizar cursos para novos agentes em suas paróquias. Esses agentes leem os protocolos e aprendem os principais pontos para darem a atenção necessária às pessoas mais idosas. Comprometessem-se, pelo menos uma vez por mês, a acompanhar um grupo de idosos mais necessitados e familiares destes.
Muito importante saber ouvir o que a pessoa idosa tem a dizer e os líderes terem a sensibilidade de acolher, promover um momento espiritual, caso o ambiente proporcione. Respeitar sua cultura, seu “cantinho” que repassa segurança. Procurar estimular e orientar quanto aos cuidados com a saúde física, espiritual e afetiva.
O Papa Leão XIV afirma: “Para Deus, a velhice é um tempo de benção e de graça”. Esse tempo deve ser estimulado pelos líderes da PPI. Estes são agentes voluntários que se preocupam com aqueles idosos mais solitários. Ninguém, contudo, é sozinho na vida. Após muitos anos de vida trabalhando para cuidar dos filhos, é importante que, com o envelhecimento, a pessoa faça exercícios físicos, tenha alimentação saudável, busque ocupar-se com atividades adequadas para a idade, participe de um grupo para criar novas amizades e não se sentir isolada.
Na PPI, há muitos líderes que são da terceira idade e se inscrevem como voluntários para participar da Pastoral. Para saber mais detalhes, acesse http://ppi.org.br e acompanhe vídeos, palestras e retiros realizados pelo Brasil.
Que o Dia Internacional da Pessoa Idosa seja uma data de conscientização sobre a importância do respeito à vida, à dignidade e ao reconhecimento de todas as pessoas que vivem e são memórias vivas de nossa história ao longo de gerações. Ser líder na Pastoral da Pessoa Idosa é ter “aproximação afetuosa, escuta, humildade, solidariedade, compaixão, diálogo, reconciliação, compromisso com a justiça social e capacidade de compartilhar, como Jesus fez” (CNBB, Documento 100, 2014, nº 186).
Antropóloga e filósofa, membro da Comissão de Prevenção e Combate à tortura (ALESC), líder na Pastoral da Pessoa Idosa.

