Reflexões sobre o Advento

Iniciamos um novo ano litúrgico. É um tempo especial que a Igreja nos oferece para avaliarmos o caminho que percorremos até aqui.

Da janela do meu carro, parado no sinal, observo as luzes que iluminam e inspiram. Um clima de solidariedade, de cooperação se torna realidade. Crianças que antes se isolavam em seus quartos, com seus jogos eletrônicos, agora vêm pra rua, em busca de afeto e do contato humano. Neste cenário, uma certeza: precisamos tirar de nossos corações as trevas que não permitem Deus chegar até nós. Devemos tirar os obstáculos que nos atrapalham e as estruturas que nos condicionam. Renovação interior de cada pessoa e de nossa sociedade são condições para que o Reino aconteça entre nós.
Na simplicidade de uma criança, a grandeza de Deus se revela. O sentimento de que o Reino se faz presente não apenas nos traz uma profunda alegria como também um novo tipo de relacionamento com o próximo. O cristão não apenas tem alegria, mas é uma alegria para quem o encontra no caminho.

Amor e serviço! O amor de Deus para com os seres humanos ultrapassa todo nosso entendimento. Por isso o Verbo se faz carne e veio armar a sua tenda entre nós. Os céus fecundam a terra. Assim, todas as criaturas, todos os seres viventes, transformam-se, impregnados pelo amor que se revela no espírito que invade e aquece todos os corações dos homens de boa vontade. Tudo o que move se torna sagrado e sacramento do amor de Deus.

Assim, o Advento se torna um tempo apropriado para refletirmos sobre o mistério da Encarnação e mergulharmos em nossa humanidade. Meditarmos sobre o sentido profundo de sairmos de nós para irmos ao encontro do outro. Sobre o significado de aceitarmos nossa fragilidade e, consequentemente, as de nosso semelhante. Sobre a importância de alimentarmos nossa espiritualidade numa esperança histórica. E, finalmente, sustentarmos nosso coração na generosidade e gratidão.

Desejamos, portanto, que este Advento e Natal sejam momentos de encontro, proximidade e convivência amorosa e fraterna, fecundas de compromisso com a vida em todas as suas expressões.

Geraldo Célio Andrade e Jonas José Santana, professores de Ensino Religioso.