Setembro, Mês da Bíblia

O mês de setembro é o Mês da Bíblia. A Bíblia é a Palavra de Deus para nós. Palavra que orienta, aponta caminhos e se distingue das outras palavras, porque sua origem vem de Deus, que inspirou pessoas para escrevê-la. Ela tem início ainda na formação do povo de Deus, com Abraão e seus descendentes. Mas ela se torna encarnada a partir do nascimento de Jesus. Jesus é a Palavra de Deus viva. 

A Palavra de Deus está registrada num antes e num depois. Antes de Cristo, no Antigo Testamento; depois de Cristo, no Novo Testamento. No Antigo Testamento, em seus 46 (47) livros, são narrados fatos, acontecimentos, fábulas, orações, ensinamentos, história numa linguagem própria de cada estilo literário usado. Em todos eles, a Palavra de Deus se esconde nas narrativas que são filtradas pelos intérpretes, cujas mensagens trazem sempre orientações para viver e seguir o projeto de Deus para a salvação de todos. 

No Antigo Testamento, temos as predições e a preparação para o acontecimento central que era a vinda do Messias, o Salvador. Encontramos nele as estórias da criação, o conjunto de normas e leis que regiam as condutas do povo, nos profetas que interpretavam os acontecimentos à luz das promessas divinas. Temos as orações sálmicas que punham o coração e o espírito dos israelitas diante de Javé. Temos narrativas históricas que registraram os acontecimentos dos tempos e suas ideologias. Temos também a sabedoria a partir das experiências vividas no deserto e no confronto com deuses estranhos à promessa de Deus ao povo. Em seu conjunto, o Antigo Testamento revela a promessa de Deus que enviaria o Salvador e a experiência da caminhada do povo pelo deserto em direção à Terra Prometida, enquanto aguardava a concretização da vinda do Messias.

No Novo Testamento, em seus 27 livros, temos a Palavra definitiva na encarnação do Verbo de Deus na pessoa de Jesus Cristo. Os quatro evangelhos contêm o ensinamento de Jesus nas perspectivas dos quatro evangelistas, que, ao escrever, tinham como público-alvo grupos específicos a quem destinavam a memória guardada oralmente. Mateus fala a seus conterrâneos judeus, para mostra-lhes que Jesus é o Messias esperado. Lucas quer fazer conhecer o Salvador aos pagãos convertidos. Marcos destina sua narrativa de modo especial aos catecúmenos que se preparavam para ingressar na comunidade cristã. João, por sua vez, tem uma mensagem dirigidas a todas as comunidades, especialmente as da Ásia. Sua reflexão mais de cunho teológico mostra a mensagem de Jesus como aquele procedente do Pai que se tornou o “Verbo que se fez carne”. 

Temos, no Novo Testamento, também as cartas de Paulo, Pedro e outros apóstolos, que refletem a Palavra de Deus diante das realidades concretas das primeiras comunidades cristãs, orientando-as na vivência da proposta de Jesus. O último livro da Bíblia, o Apocalipse, traz uma mensagem de esperança para as comunidades perseguidas, apontando o Ressuscitado como o grande vencedor sobre as tiranias humanas.

Ao dedicarmos o mês de setembro à Bíblia, temos o convite a nos aproximar mais dela com leitura diária de pequenos trechos, para iluminar nossos dias e fundamentar mais nossa fé. Mais do que nunca, precisamos da iluminação da Palavra de Deus para nossos tempos tão conturbados por tantas ideologias que pregam deuses estranhos que conduzem a vida para longe do revelado na Bíblia. 

Tenha um mês santificado pela Palavra de Deus. Que ela dê suporte a seus dias, aumentando sua esperança, sua fé e sua prática da caridade. Feliz Mês da Bíblia!

 

Padre Deolino Pedro Baldissera, SDS

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