Sobre respirar…

Na primeira respirada de cada um, choro de vida.
Entre a primeira e a última respiração, a vida se faz.
O direito à vida pode ser traduzido pelo direito de respirar.
Direito de crescer respirando proteção da família e da comunidade.
Direito de respirar o ar do conhecimento que sopra nas escolas.

Possibilidade permanente de encher os pulmões de ar puro e, para os afortunados, até sentir o Espírito que sopra.

Há que se ter um planeta sustentável, com justiça social. Há que se ter justiça social para o planeta se sustentar.

O direito de respirar ganha forma, conteúdo, cadência e intensidade.
A alguns nem o direito de respirar é assegurado.
Entre a primeira e a última respiração, a vida se (des)faz.
Nas estatísticas, o direito de respirar ganha cor e contornos inaceitáveis.
Nos territórios de vulnerabilidade, a desproteção afeta.

Nos tiram o fôlego:
a morte súbita, o tiro que cala;
a mortalidade precoce da juventude;
a violência policial que assassina;
o feminicídio;
o massacre e da população LGBT+ e da população indígena;1
a infância perdida;
negros na mira: a desigualdade na letalidade racial;
a fome.

Tempos de respiração dolorida.
Tempos de respiração protegida em contexto de pandemia.

Quando você estiver usando máscaras para se proteger e proteger a vida em comunidade, e sentir falta de ar, lembre:
esta é a única falta de ar que salva vidas!
Use máscaras e vamos seguir desmascarando essa falta de cidadaniAR.

Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

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Referências
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[1] LGBTI+ é a sigla para “lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais ou transgêneros e intersexuais”. Doravante incluiremos ainda o “+”, utilizado pelo movimento gay para fazer alusão à visibilidade de casos de assassinatos de heterossexuais sob motivações homofóbicas, tendo sido a vítima confundida com gays ou lésbicas. https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/

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