
“Viva o Espírito Santo em nossos corações!”
Esse foi o primeiro cumprimento que aprendi, ainda na infância, com 7 anos, ao encontrar uma irmã serva do Espírito Santo. Frequentava a escola, administrada pela Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS), por isso meu contato com as irmãs era diário.
O espírito missionário testemunhado pelas irmãs me encantava e atraía, sobretudo da Ir. Sérvia Baldy, que foi missionária na China, cujos testemunho e estímulo missionários, baseados em sua experiência, partilhava com os alunos. Falava sobre a situação religiosa do povo e da Igreja naquele país, deixando as alunas empolgadas.
Esse espírito missionário foi se desenvolvendo em meu coração infantil, e aumentava em mim o desejo de, um dia, também ser missionária. Aos poucos, fui me engajando na vida da paróquia, participando de movimentos e visitas às famílias aos domingos, juntamente com o pároco, Pe. Aloísio Baumeister, missionário do Verbo Divino. Sem me esquecer do incentivo e do apoio de meus pais, que fizeram perceber e crescer dentro de mim o chamado de Jesus a algo diferente. Sentia-me fortemente atraída e impulsionada a doar-me em tempo integral, como missionária.
A partir dos 15 anos, como estudante no Colégio Santos Anjos, em Porto União-SC, fui me integrando nas atividades de catequese e nas celebrações em comunidades eclesiais do interior da Paróquia, nos fins de semana. Tudo me empolgava e me animava a seguir adiante, sem temor, apesar das dificuldades. No decorrer dos 50 anos de vida religiosa consagrada, sempre estive ligada às pastorais nas paróquias por onde passei, além da Pastoral da Educação.
Agradeço a meus pais (em memória) e meus irmãos que me ensinaram, no contexto familiar, a vivência dos valores de retidão, de partilha, solidariedade, alegria e altruísmo. Ali aprendi o quanto é importante fazer da vida uma doação e a buscar algo mais profundo sobre o qual construir um futuro a ser abraçado definitivamente.
Agradeço à comunidade das SSpS de minha paróquia de origem, com as quais cresci e recebi toda a formação cristã. Com sua vida, ajudaram-me a aprofundar e vivenciar plenamente a minha vocação missionária. “Ide pelo mundo inteiro, anunciai a Boa-Nova a toda criatura” (Marcos 16,15).
Entrei no Convento, aqui em Ponta Grossa, aos 19 anos, iniciando minha caminhada na formação para a vida religiosa. Fiz as etapas da formação (postulantado e noviciado) para conhecer e aprofundar a espiritualidade e o carisma missionário da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo. No dia 18 de janeiro de 1975, fiz meus primeiros votos. Solenidade que marcou e imprimiu em mim a seriedade e a fidelidade ao chamado de Deus, como resposta diária e perseverante, para sempre.
A presença sensível de Deus e a alegria da vida religiosa consagrada foi o fundamento e a força em toda a caminhada de 50 anos. Os encontros, diários, com o Senhor, na oração fiel e perseverante, muito me ajudaram nos momentos de dificuldades e desafios vividos na vida pessoal, comunitária e na missão. O texto bíblico que me sustentou e sustenta como religiosa consagrada é do capítulo 15 do Evangelho de João: “Permanecei no meu amor, porque sem mim nada podeis fazer”.
As atividades missionárias solicitadas pela Congregação, em todos estes anos, foram na Educação, na formação de jovens candidatas, nas pastorais (Liturgia, Catequese, Pastoral Social, formação de lideranças e de comunidades, e, ultimamente, no Conselho Missionário Diocesano – Ponta Grossa). Tive também a graça de fazer uma experiência missionária “ad gentes”, por cinco anos, em Lisboa, Portugal, em um assentamento de imigrantes africanos, provenientes de países de colonização portuguesa. Foi uma experiência riquíssima, onde muito mais aprendi do que ensinei e transmiti. Meu coração continua missionário, hoje mais pela oração, sempre em contato com situações missionárias que me interpelam o tempo todo.
Este ano jubilar é, para mim, uma grande ação de graças ao Deus Uno e Trino, por seu amor, sua presença, força e coragem diante dos desafios e dificuldades enfrentados. Sobretudo, ação de graças pela ação do Espírito Santo, padroeiro principal de nossa Congregação, por ter me conduzido, orientado e iluminado no seguimento ao Senhor, nestes 50 anos de vida religiosa consagrada.
Renovo, a cada dia, sob a proteção de Maria Imaculada, minha disponibilidade no “sim” – “Tudo o que Ele (me) disser”.
Às jovens, hoje, quero dizer, com toda convicção: fui feliz e sou feliz, pois, quando Jesus chama, “Ele NÃO TIRA NADA; muito pelo contrário, DÁ TUDO! Dá a alegria e a plenitude de vida que ninguém pode dar. Coragem, Jesus não desiste de nós, de você. Na resposta generosa de Deus que chama pelo nome, Ele dá em dobro de sua graça”.
Amém!
Missionária serva do Espírito Santo na Província Divina Sabedoria (Brasil Sul), membro da Equipe de Comunicação SSpS Brasil.




