“Tomem e comam”

“Desejei ardentemente comer esta ceia com vocês antes de sofrer” (Lc 22,14). Meu coração se consome de dor por ter de deixá-los. Por isso, invoquei o Pai, e Ele me concedeu uma maneira de continuar presente em cada um, cada uma de vocês.

Meus sentimentos de amor, carinho e saudade já se antecipam à despedida. Sim, quero deixar-lhes um presente. Quero dar-lhes a mim mesmo como presente para que vocês possam continuar comigo.

Como tudo que experimentei do Pai é verdadeiro, eis uma forma de permanecer, mesmo Eu tendo de partir. Quero tanto que vocês, meus discípulos e discípulas, experimentem em mim o que experimentei do Pai. E eu, mesmo partindo, continue tão vivo e presente em vocês como o Pai está em mim…

Tinha de ser algo simples, mas profundo, capaz de transformar o mundo. Escolhi, então, a ceia, pois nada é tão íntimo como a amizade que nos une. E compartilhar o alimento representa a comunhão de nossas vidas. Então escolhi o pão, alimento que sustenta e sacia.

Mas quero dar-lhes algo que seja mais que o pão. Quero lhes dar a mim mesmo! “Eu sou o pão da vida!” (Jo 6,35). Comam, isto é o meu corpo… Assim, alimentando-se de mim, minha vida circula em cada um de vocês. É a união perfeita do amor: Eu em vocês e vocês em mim. Assim, somos um, um único corpo.

Da mesma forma, o sangue, derramado em sacrifício e redenção pelos pecados… É este sangue que lhes dou como bebida, este mesmo sangue gerado no ventre de Maria, alimentado com o amor do Pai e impregnado da essência da vida.

O que melhor que o vinho para o assumir? O fruto da videira, esmagado e fermentado, transformado em espírito de festa e de alegria… O vinho da nova e eterna aliança, o vinho do nosso amor e amizade, e de tudo quanto compartilhamos… Este é o meu sangue! Tomai e bebei para que, circulando em suas veias, vocês possam participar da vida eterna que gozo junto do Pai.

Venham! Aproximem-se. Este é o presente que lhes dou. Sou eu mesmo! Meu corpo e meu sangue! Agora não será mais despedida. Agora só encontro, permanência, comunhão. Não, não morrerei! A vida é mais forte do que a morte. Estarei com cada um, cada uma de vocês para sempre, e os alimentarei com meu corpo e meu sangue.

Este é um compromisso eterno, selado com o sangue derramado na Cruz e confirmado pela Ressurreição. Venham, aproximem-se! Não há mais nada por que temer. Eu sou a VIDA, não existe mais a morte. Nem para mim nem para quem está comigo!

Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpS
Jornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)