Trabalho voluntário: compromisso com a práxis de Jesus

Jesus Cristo veio ao mundo para anunciar uma boa-nova aos pobres. Ele veio para ensinar as pessoas que a vida somente ganha real sentido quando estamos dispostos a sair de nós mesmos e olhar à nossa volta, de forma a compreender as necessidades de nosso próximo.

Nessa perspectiva, viver a espiritualidade do Evangelho exige de nós um triplo exercício: olhar e compreender o que a realidade nos clama. Não nos basta olhar, pois essa ação se torna vã se não vier somada a uma disposição real de nosso coração de compreender o que é preciso ser feito. O terceiro passo é o agir, ou seja, arregaçar nossas mangas e concretizar aquilo que foi visto e compreendido.

Inspirados por esse ensinamento de Jesus, podemos vislumbrar caminhos para concretizar nossa espiritualidade, de forma que se torne vida em nosso dia a dia e não apenas uma reflexão bonita, mas sem uma atitude de compromisso. Ao olharmos nossa realidade, encontramos inúmeras facetas que nos instigam a pensar: o que tem acontecido com nossa sociedade? Por que vemos tanto sofrimento? São tantos os problemas sociais e ambientais que é impossível não nos sentirmos incomodados. A não ser que estejamos com nossos olhos fechados e nossos ouvidos tampados…

A pandemia do novo coronavírus eclodiu uma realidade que estava latente, mas que já fazia parte de nossa sociedade há tempos: a pobreza, a miséria, o abandono, a falta de oportunidade, e por aí vai. Hoje vemos estampado nos jornais e noticiários o que já há muito tempo existia em nosso País e no mundo: a fome, o descaso do Poder Público, as injustiças sociais.

Em meio a tantas situações de tristeza, podemos encontrar exemplos de inúmeras pessoas que, deixando suas próprias preocupações de lado, conseguem encontrar caminhos para ajudar aqueles menos favorecidos. São homens e mulheres que, voluntariamente, partilham de seu tempo e esforços para colaborar na construção de uma sociedade mais justa, igualitária e fraterna, onde haja melhores condições para aqueles que tanto necessitam.

O trabalho voluntário ecoa neste contexto como uma luz num túnel cada vez mais escuro e fechado; um túnel marcado pelas desigualdades, mas que, com a ajuda de pessoas de bem, tem se alargado sempre mais. Iluminado pela práxis de Jesus, o trabalho voluntário ganha um sentido mais pleno e profundo: ser a expressão do amor ao próximo, concretizado em ações cotidianas que inspiram e nos fazem acreditar que um mundo novo é possível.

Nossa sociedade clama por pessoas que sejam capazes de assumir o compromisso de Jesus: ser anunciadores da Boa-Nova, concretizando, no hoje de nossa existência, o compromisso que assumimos com nosso Deus: o de ser a expressão de seu amor junto aos menos favorecidos.

Por esse motivo, em nosso jeito de educar, trazemos para nossas escolas o compromisso de despertar em nossos estudantes o desejo e o compromisso do trabalho voluntário diante de um futuro que pedirá cada vez mais que saiamos de nossas “bolhas”, nosso mundo particular, e vivamos como família humana; afinal, “quem vive para si empobrece seu viver”.

Que sejamos capazes de assumir esse compromisso de amor ao próximo, realizando nossas ações voluntárias e inspirando outras pessoas, crianças, jovens e adultos a também eles se comprometerem com essa ação. Somente assim conseguiremos ser anunciadores da Boa-Nova, somente assim concretizaremos o sonho de Deus para nossas vidas.

Erica da Silva Carneiro é professora de Ensino Religioso no Colégio Espírito Santo, em São Paulo-S