Em dezembro de 2012, Steve Cutts publicou a animação Man (disponível no Youtube). O filme, de aproximadamente três minutos, já conta com mais de 70 milhões de visualizações. O recurso audiovisual ilustra como a personagem, saltitando pelo planeta (como se estivesse em um parque de diversões), submete a terra, o mundo natural e os seres à sua sanha consumista. A animação termina com a personagem reinando entronizada sobre montanhas de lixo.
Se até meados do século passado, os impactos de nosso consumismo eram desconsiderados; hoje não podemos mais alegar ignorância acerca dos resultados de nossas ações sobre o mundo que nos cerca. A Revolução Industrial, a especialização do trabalho, a linha de produção, a ideia de crescimento econômico ilimitado e a civilização tecnológica trouxeram consigo a produção em massa não apenas de produtos, mas principalmente de resíduos. O princípio da obsolescência programada entranhada em processos corporativos de design subscreve o compromisso privado com o lucro, mesmo que o preço compartilhado com a sociedade sejam resíduos em aterros, no ar, no mar, no solo.
Com as evidências do impacto do processo industrial sobre o meio natural e os lugares que habitamos, a partir da segunda metade do século XX, movimentos ativistas se estruturaram para uma mudança de mentalidade, trazendo a preservação de condições de vida na Terra para o centro do diálogo. Uma dessas organizações é a Aliança Internacional Desperdício Zero (Zero Waste International Alliance – ZWIA), criada em 2002. O foco do Desperdício Zero é:
“A conservação de todos os recursos por meio da produção, consumo, reutilização e recuperação responsáveis de produtos, embalagens e materiais, sem queima e sem lançamentos no solo, na água ou no ar que ameacem o meio ambiente ou a saúde humana.”
No Brasil, a Zero Waste International Alliance é representada pelo Instituto Lixo Zero (ILZ), que dá suporte à rede e à atuação de pessoas sob a forma de coletivos nas cidades, para mobilizar pessoas, empresas e governos. A proposta é transformar a forma como produzimos, consumimos e descartamos, incentivando práticas sustentáveis e circulares.
O tema merece destaque para a Rede de Educação SSpS, pela convergência com objetivos da Plataforma Laudato Si’, que disponibiliza ferramentas práticas para a constituição de uma ecologia integral. Os objetivos são: resposta ao clamor da Terra; economia ecológica; adoção de estilos de vida sustentáveis; educação ecológica; espiritualidade ecológica; comunidades religiosas (ordens religiosas, província30s e comunidades); resposta ao clamor dos pobres.
Para saber mais
CUTTS, Steve. Man. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=WfGMYdalClU
INSTITUTO LIXO ZERO. Disponível em: https://www.ilzb.org/fale-conosco/
PLATAFORMA DE AÇÃO LAUDATO SI’. Disponível em: https://plataformadeacaolaudatosi.org
ZERO WASTE INTERNATIONAL ALLIANCE. Disponível em: https://zwia.org/join-us/
Professora dos cursos de Graduação e Pós-graduação em Design da Universidade da Região de Joinville (Univille); coordenadora do Projeto Ethos – Design e relações de uso em contexto de crise ecológica; colaboradora do Instituto Caranguejo de Educação Ambiental (caranguejo.org.br); colaboradora do blog SSpS Brasil para temas ambientais (blog.ssps.org.br).
Imagem principal: Daria Kulkova (Istock)

