Namoro: tempo de carinho, alegria (e atenção aos sinais)

No Brasil, o Dia dos Namorados é comemorado em 12 de junho, véspera da data litúrgica do famoso Santo Casamenteiro, nosso querido Santo Antônio de Pádua (ou de Lisboa, como queira), personalidade conhecida até mesmo em países não cristãos. Como muitas outras, essa data, criada em 1948 pelo publicitário João Dória, tem origem e fins comerciais. Basta ver o lema da primeira edição: “Nem só com beijos se prova o amor”. Nós, seguidores e seguidoras de Jesus, contudo, podemos fazer desse limão uma limonada, transformando uma celebração profana em algo sagrado, como ocorreu em outros episódios na história da Igreja.

Mais do que dirigir louvores a Deus pelo dom de existirem os casais apaixonados (eles merecem, sobretudo nestes tempos de ódio e bombas), gostaria partilhar dicas e indicar alguns sinais que esse importante tempo do namoro pode dar. Separei alguns pontos com base em minha caminhada ao lado de muitas pessoas de diversas comunidades de fé e, claro, em experiência própria de quem passou por essa inesquecível etapa antes do matrimônio.

A lista não está organizada por ordem de importância, mas conforme me veio ao coração. Os pontos estão no plural de propósito, como deve ser a espiritualidade da vida a dois.

 

1. Aproveitem bem esse tempo

O namoro é um período muito bonito, precisa ser leve e alegre, mesmo com as inevitáveis “D.R.” vez ou outra. Não antecipem tanto as coisas. É um tempo de discernimento vocacional, de conhecerem-se mutuamente. Ainda não é hora de chamar o outro de “esposinho” ou “esposinha”.

 

2. Procurem conhecer a família do outro

Toda família tem problemas, mas pode dar alguns sinais importantes sobre a vida do outro. O modo como os familiares vivem, se tratam, enfrentam os problemas, lidam com os vizinhos e veem o mundo costuma ser um indicativo muito valioso.

 

3. Observem a acolhida

É fundamental que o namoro seja bem-aceito pela família e amigos dos dois lados (aviso: evite esperar unanimidade). A não acolhida, pelo menos das pessoas mais importantes, pode virar um grande problema no futuro.

 

4. Não criem grandes estruturas para o namoro

Tenham mais tempo juntos, respeitando a liberdade do outro. Os “emaranhados” podem prejudicar o discernimento. Como namorado, namorada, não é bom que você já seja sócio de seu “sogro”, que o casal constitua uma empresa ou se envolva em algum grupo com regras rigorosas.

 

5. Quantidade não é o mesmo que qualidade

Um longo tempo de namoro não quer dizer qualidade. Não sejam muito afobados nem lentos demais para tomar decisões. Peçam e acolham bons conselhos, sobretudo de pessoas que os conhecem bem.

 

6. Não somos donos dos outros

Respeitem a liberdade, a individualidade, o tempo, a cultura, os horários, as amizades do outro. O ciúme excessivo pode ser causa de muitos problemas (graves) no futuro e, claro, sufocar o próprio namoro.

 

7. Procurem fazer algumas coisas juntos

Que tal cursarem um idioma juntos? Também vale aprender a dançar, a tocar um instrumento. Que tal fazer caminhada juntos, participar de alguma iniciativa em favor de pessoas necessitadas ou da natureza? Isso aumenta a experiência a dois e fomenta um diálogo frutuoso. Reforço: que seja algo leve.

 

8. Não admitam violência

Se, no namoro, já houver episódios de violência física, psicológica, sexual, financeira, fiquem de olho! Além de ser crime, o problema pode se acentuar mais adiante. Também não permitam ser humilhados (tanto no ambiente público quanto privado). Não ignorem sinais e procurem ajuda imediatamente.

 

9. Falem de Deus

Deus é amor! (1 João 4,16). Os namorados, de alguma forma, são sinais desse Deus apaixonado por nós. Conversem sobre fé, orem juntos e participem, com leveza, da vida na comunidade de fé. Nesta última, não assumam tantos compromissos, mas façam o que for possível. Sugiro, vez ou outra, rezarem juntos o magnífico “Hino ao Amor” (1 Coríntios 12,31-13,13).

 

10. Conheçam os projetos de vida

Partilhem os projetos de vida. Acolham respeitosamente os sonhos do outro. Vejam se há o mínimo de compatibilidade. Não se assustem no início. Recordem-se de que tendemos a amadurecer ao longo do tempo, e algumas coisas podem se modificar.

 

11. Demonstrem afeto

De alguns anos para cá, por influências reacionárias (e não conservadoras), surgiram alguns movimentos que aconselham os namorados a nem mesmo se beijarem. Também chamam a esse exagero “namoro santo”. Cá entre nós, se não há afeto, nem namoro é (e muito menos coisa santa, mas bem chata!).

 

12. Lembrem: só Deus é perfeito

Não existem príncipe e princesa encantados. Todos têm um lado santo e outro pecador, virtudes e fraquezas. Procurem apoiar o crescimento do outro e a praticar o perdão.

 

Dica bônus

A recomendação a seguir vale para todos: acolham bem os casais que se amam, orem por eles, apoiem esses irmãos e irmãs em sua fase de discernimento e os abençoe. Uma família minimamente sólida precisa começar com um bom namoro.

 

Bendito seja Deus por existirem os apaixonados!

 

Dedico este texto a Tânia, minha esposa querida, que me santifica apesar de minhas muitas limitações.

 

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Apaixonados, nunca precisamos tanto de vocês!

 

Alessandro Faleiro Marques

Membro da Equipe de Comunicação SSpS Brasil, diácono na Arquidiocese de Belo Horizonte.

 

Imagem principal: Koldo Studio (Istock).

 

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