
A Vivat Internacional apresentou uma declaração denunciando a escalada da violência contra povos indígenas no Estado de Roraima, no Norte do Brasil. A declaração, apoiada por diversas outras entidades, foi feita pelo missionário espiritano Pe. Fabian Adindu, representante da Vivat, durante o Painel sobre Financiamento do Desenvolvimento Sustentável e Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, na 61ª Sessão Ordinária do Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), em Genebra, Suíça.
O pronunciamento, ocorrido em 5 de março, baseou-se no Relatório de 2023 do Cimi (Conselho Indigenista Missionário). Segundo o documento, Roraima registrou 47 assassinatos de indígenas. A Vivat, baseada em dados de diversas organizações, sustenta que esse número continua a aumentar, fazendo com que Roraima seja o lugar mais perigoso do mundo para os povos originários.
“Com a mineração ilegal reivindicando mais de 20 mil hectares de terras indígenas, as ameaças existenciais e a grave degradação ambiental se agravam. Isso não é desenvolvimento sustentável”, afirmou o Pe. Fabian.
A Vivat, em nome de outras 16 organizações, afirma que, a partir de 2020, houve um dramático aumento da violência. Foram registrados 573 casos de estupro e um aumento de feminicídios em todos os grupos demográficos.
“O assassinato covarde do líder indígena Gabriel Ferreira, no mês passado, representa um novo ápice nesse ciclo vicioso. Essas estatísticas alarmantes confirmam a cultura generalizada de impunidade sob a qual empresários e facções políticas corruptas operam em detrimento de grupos marginalizados”, alertou a Vivat.
A Vivat Internacional e as outras organizações não governamentais signatárias pedem urgentemente que o Conselho exija uma investigação independente sobre as violações. Também solicitam que as autoridades brasileiras sejam pressionadas a cumprirem as leis contra a mineração ilegal e a respeitarem as leis de Roraima quanto à defesa do meio ambiente e da cultura. As ONGs também reivindicam a proteção às vidas ameaçadas de todos os povos indígenas roraimenses e que os autores dos crimes sejam responsabilizados.
Assinaram a declaração da Vivat Internacional as seguintes organizações e movimentos: Nova Humanidade (Movimento Focolar); Pastoral Indígena; Cáritas Diocesana de Roraima; Serviço Pastoral para Migrantes de Roraima; Levante da Juventude Popular de Roraima; Comissão Pastoral da Terra Roraima (CPT RR); Partido Comunista Brasileiro em Roraima; Movimento por uma Escola Popular (MEP); Organização Internacional para a Educação Católica (OIEC); Pastoral Social da Diocese de Roraima; Associação Afrodescendente Yewalê Bemy; Associação Ilê Axé Oya Gambelê (AFAG); Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH); Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST RR); Conselho Indigenista Missionário (Cimi Norte 1 – AM/RR); Fórum Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de Roraima.
A Vivat Internacional
A Vivat Internacional é um organismo multicongregacional. Foi fundada, em novembro de 2000, pelas irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) e os missionários do Verbo Divino (SVD). Atualmente, reúne 12 congregações que atuam em 121 países. Tem como missão de promover, em âmbitos internacional e local, a defesa dos direitos humanos e do cuidado com a Casa Comum. A Vivat tem status consultivo especial no Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas (Ecosoc) e está associada ao Departamento de Comunicações Globais da ONU.
Assista ao pronunciamento (em inglês)
Equipe de Comunicação SSpS Brasil, com informações da Vivat Internacional.
