Semana sem Fronteiras: conheça a missão das SSpS na Coreia do Sul

Conhecer a missão é também ampliar o coração. É com esse convite que iniciamos a série de publicações da Semana Sem Fronteiras, um projeto da Rede de Educação das Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS) que convida estudantes, educadores e comunidades educativas a ultrapassarem fronteiras geográficas e culturais para conhecer a presença missionária das irmãs em diferentes partes do mundo.

Ao longo da edição de 2026, conheceremos um pouco da missão das SSpS na Coreia do Sul, Cuba, Angola, Espanha e Vietnã. Descobriremos histórias de fé, solidariedade e compromisso com a dignidade humana.

Na primeira matéria, o destaque é a Coreia do Sul. As irmãs SSpS do país do Extremo Oriente nos apresentam  uma realidade marcada pela interculturalidade, pelo serviço aos mais vulneráveis e pela força transformadora da missão. O texto original é da Província SSpS da Coreia, com tradução da Equipe de Comunicação SSpS Brasil.

 

O Espírito doador de vida: a presença da SSpS na Coreia do Sul

 

Nossa caminhada como província coreana das irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) começou em 9 de março de 1987, em Seul, com três irmãs da província japonesa. A partir da primeira aspirante, em junho de 1989, a pequena semente plantada vem dando cada vez mais frutos, conforme a comunidade continua a crescer e a desenvolver diversos apostolados.

Quase 30 irmãs estão organizadas em seis comunidades na Coreia, compostas por religiosas de nove países, como China, Timor-Leste, Índia, Indonésia, Japão, Coreia do Sul, Polônia, Romênia e Vietnã.

 

 

Crescimento do cristianismo

 

A Guerra da Coreia eclodiu em 1950, quando a Coreia do Norte invadiu a Coreia do Sul. A guerra terminou em 1953, mas o país ficou dividido em dois, Coreia do Sul e Coreia do Norte, com ideologias diferentes. Ainda há esperança de que as duas Coreias se reunifiquem um dia, mas os desafios são enormes.

A população da Coreia do Sul é de aproximadamente 51,96 milhões de habitantes. No aspecto religioso, cerca de 17% dos sul-coreanos se identificam como budistas, 20% como protestantes, 11% como católicos romanos, além de outros que professam diferentes confissões e ideologias. O budismo é a religião mais antiga da Coreia e tem uma longa história no país, mas o cristianismo tem crescido continuamente conforme se abre para o Ocidente.

Mesmo com uma porcentagem reduzida, a comunidade católica da Coreia do Sul é muito vigorosa. Não por acaso, a próxima Jornada Mundial da Juventude será sediada em Seul, capital do país, de 3 a 8 de agosto de 2027.

 

Como o catolicismo começou na Coreia

 

Santo André Kim Taegon, primeiro padre coreano e mártir

A história da Igreja Católica na Coreia é marcada por fé, perseguição e perseverança. A singularidade da Igreja na Coreia não provém de missionários ocidentais, mas sim do povo leigo coreano. É a história de como um pequeno grupo conseguiu superar grandes desafios e construir uma próspera comunidade de fé. A Igreja Católica foi introduzida na Coreia por alguns intelectuais e estudiosos coreanos que tiveram contato com livros ocidentais e traduções chinesas de textos católicos.

O primeiro coreano a ser batizado foi Yi Seung-hun, em Pequim, em 1784. Ele retornou à Coreia e começou a difundir a fé católica, e logo uma pequena comunidade de católicos se estabeleceu.

O crescimento da Igreja na Coreia enfrentou a oposição do rei do país, que via o catolicismo como uma ameaça à ordem social baseada no confucionismo. Entre 1801 e 1873, ocorreram diversas perseguições importantes, e milhares de católicos foram mortos.

Em 1836, foi ordenado o primeiro padre coreano, André Kim Taegon. Mais tarde, ele foi martirizado por sua fé. Ao todo, existem 103 mártires conhecidos na Coreia, todos canonizados, e 124 beatificados. A perseguição aos católicos finalmente terminou no fim da década de 1880, quando a Coreia abriu suas portas para o Ocidente.

Pintura retrata os mártires coreanos

Nossa visão

 

Como missionárias SSpS, testemunhamos profundamente a presença do Deus Uno e Trino no lugar onde vivemos e ouvimos o clamor de toda a Criação. Transformamos o mundo com amor e compaixão.

 

Missão

 

Seguindo o modo de vida que Jesus nos ensinou, procuramos atender às necessidades da sociedade e da Igreja local, e nos tornar companheiras dos marginalizados.

 

Nossos apostolados

 

Três primeiras irmãs SSpS a chegarem à Coreia, em 1987

Seguindo o carisma e os propósitos missionários da Congregação das SSpS, a Província da Coreia ouve e trabalha em prol das pessoas marginalizadas e desfavorecidas que mais necessitam de apoio na sociedade atual. Em seus primórdios, consolidou-se por meio de ações pastorais, como lares para crianças de famílias monoparentais, abrigos para pacientes com HIV/AIDS e para mulheres em situação de rua.

Atualmente, oferece assistência pastoral a migrantes, que constituem uma das questões prioritárias na sociedade coreana de hoje. A atuação abrange trabalhadores migrantes, refugiados, famílias multiculturais, uma escola para crianças, reabilitação de mulheres prostituídas e uma casa de retiros que serve como espaço de orientação espiritual para todos.

Também temos um grande interesse em justiça social e no meio ambiente, e estamos comprometidas em contribuir para um futuro melhor. Continuamos a refletir e discernir sobre outros apostolados necessários para os marginalizados na sociedade.

 

Migrantes e refugiados

 

Celebração do Dia Internacional dos Migrantes

 

 

 

 

 

 

Nos últimos anos, o fluxo de imigrantes para a Coreia do Sul tem aumentado, com residentes estrangeiros representando cerca de 4,9% da população total em 2019. Em meados de 2020, 1,7 milhão de estrangeiros viviam na República da Coreia. Até 31 de dezembro de 2021, 3.575 pessoas foram reconhecidas como refugiadas ou receberam status humanitário pelo governo sul-coreano.

As SSpS da Coreia se empenham em proporcionar assistência humanitária mais urgente a migrantes, famílias multiculturais e estudantes estrangeiros, oferecendo a eles acesso a ajuda espiritual, aconselhamento, assistência médica/seguro saúde, abrigo, integração, serviços policiais/de imigração, etc. Também continuamos a entrar em contato com migrantes, documentados ou não, para ajudá-los a acessar assistência e serviços sociais e espirituais em diferentes idiomas, como inglês, vietnamita e timorense, em colaboração com nossos irmãos da Congregação dos Missionários do Verbo Divino (SVD).

Em junho de 2018, 561 migrantes chegaram à ilha de Jeju, na Coreia do Sul, fugindo da guerra civil no Iêmen, na qual combatem as forças do governo iemenita e os rebeldes xiitas houthis. Até junho de 2018, 549 pessoas haviam solicitado refúgio na Coreia.

 

Centro de Apoio Familiar

 

Conseguimos estabelecer a administração e a gestão de apoio a famílias desestruturadas, famílias monoparentais, famílias multiculturais, etc. Oferecemos aconselhamento e programas sociais para todos os tipos de famílias (migração por casamento, mães solteiras, pais jovens, pais não casados, etc.).

 

Educação infantil

 

 

 

 

 

 

Crianças de famílias multiculturais e famílias desestruturadas frequentam a escola em busca de apoio e auxílio na aprendizagem. Há também oficinas de arte para crianças com problemas de saúde mental.

Bazar em prol das atividades da educação infantil

Juventude e vocação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Promovemos atividades pastorais em universidades, acampamentos de verão, missas para jovens e retiros para a juventude.

 

Casa de Retiros (Centro de Espiritualidade Missionária)

 

Isso inclui nosso Centro de Espiritualidade Missionária, que oferece espaço e realiza retiros, além do Curso de Teatro Bíblico para indivíduos e grupos.

 

 

 

 

Centro de Direitos Humanos das Mulheres

 

Em parceria com os leigos, oferecemos aconselhamento, apoio médico e assistência jurídica a vítimas de prostituição e abuso (crianças e jovens). Realizamos ações de suporte às vítimas e auxiliamos na elaboração de propostas para auxílio financeiro, bem como em programas de reabilitação.

 

 

JPIC (Justiça, Paz e Integridade da Criação)

 

 

 

 

Também temos um forte interesse na justiça social e no meio ambiente. Nós estamos engajadas em contribuir para um futuro melhor.

 

Associação Missionária do Espírito Santo

 

Para praticar a espiritualidade do Fundador, Santo Arnaldo Janssen, que viveu servindo ao lado dos missionários leigos do Deus Uno e Trino, realizamos encontros mensais regulares para esses membros e oferecemos diversos programas para auxiliá-los a vivenciar nosso espírito missionário.

 

 

Equipe de Comunicação SSpS Brasil, com informações de Agostinho Travençolo Junior e World SSpS

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