Nossa presença como comunidade intercongregacional junto aos povos originários é marcada pela acolhida sincera, a escuta ativa que gera vida, que abre pontes de diálogos, de respeito e que passa pela troca de saberes. Estar com os povos indígenas é colocar-se a serviço, sendo presença de apoio e incentivo no fortalecimento e resgate da cultura e da tradição. Respeitando a ancestralidade e os apoiando em suas lutas e conquistas.
Ao longo da história, os povos indígenas atravessam lutas para fazerem realmente parte na nação brasileira, na conquista de seus direitos como cidadãos e na luta para terem suas terras demarcadas, como é o caso do Acampamento Terra Livre (ATL), que, neste mês de abril, reuniu em Brasília-DF mais de 7 mil indígenas, com mais de 200 povos que se uniram para serem ouvidos. Isso mostra a grande mobilização na demarcação do território e resistência à mineração, ao agronegócio, às hidrelétricas e a outros projetos.
Neste Movimento Terra Livre de 2026, as demandas apresentadas foram situações referentes à educação escolar indígena, à saúde, às políticas voltadas para as mulheres indígenas, além da proteção dos direitos humanos e de seus defensores. Além disso, há também o problema da discriminação e perseguição que as lideranças indígenas vêm sofrendo ultimamente.
Nesse contexto, Lúcia Alberta Baré, diretora de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Funai relata a importância da demarcação de terras indígenas, afirmando ser a principal maneira de assegurar saúde, educação, segurança, manutenção das culturas e cidadania aos povos indígenas.
É importante enfatizar que ter moradia digna, trabalho, acesso à educação, lazer é um direto de todos. Fazer valer a Constituição é de grande importância, principalmente para os que vivem à margem da sociedade, na espera de terras demarcadas, casa própria, entre outras realidades que afetam não somente os povos originários, mais quilombolas, ribeirinhos e famílias em diferentes contextos territoriais.
Nesse sentido, a CF (Campanha da Fraternidade) 2026 apresenta muito bem essas realidades quando traz como tema a ser refletido pelas igrejas e movimentos do Brasil: “Fraternidade e moradia”. Eis um tema propício para debater, refletir e buscar soluções juntos aos governantes, para a melhoria de vida de tantas famílias brasileiras localizadas em zonas de risco ou em situações de abandono.
Por fim, não se pode negar que estamos diante de um contexto de mundo marcado pela Era Digital. Isso é um dos grandes desafios que encontramos nos povos indígenas hoje: como contribuir com o público juvenil para não perderem suas raízes, culturas e tradições em meio à grande influência digital.
Nossa presença como comunidade intercongregacional (Irmãs do Preciosíssimo Sangue e Missionárias Servas do Espírito Santo) é marcada por uma constante busca de tornar vida as palavras de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (João 10,10).
Veja algumas fotos:
Para saber mais
Irmãs SSpS são recebidas em aldeia indígena de Alagoas
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (CNBB). Campanhas CNBB: Campanha da Fraternidade 2026. Disponível em: https://campanhas.cnbb.org.br/campanha/campanha-da-fraternidade-2026/ Acesso em: 13 abr. 2026.
CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO. Sem demarcações de terras indígenas, Acampamento Terra Livre 2026 cobra respostas dos três Poderes. Brasília, 10 abr. 2026. Disponível em: https://cimi.org.br/2026/04/atl-2026-tres-poderes/ Acesso em: 12 abr. 2026.
FUNAI. Demarcação de terras é fundamental para assegurar acesso a diretos dos povos indígenas. Brasília: Funai, 18 jul. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2024/demarcacao-de-terras-e-fundamental-para-assegurar-acesso-dos-povos-indigenas-a-educacao-defende-funai Acesso em: 13 abr. 2026.
Missionária Serva do Espírito Santo
Comunidade Intercongregacional Awã, Tocantínia-TO

