“Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!” (Salmo 117/118)
Que alegria e que graça! Celebramos mais uma Páscoa, um tempo de encontro profundo com a vida, no qual queremos, novamente, oportunizar-nos a pensar o sentido de nossa existência. Nesse tempo, somos tomados por uma imensidão de encontros, presentes e abraços, e quase nos esquecemos de que estamos em uma convulsão da história que se assemelha às dores de parto de um nascimento; somos chamados a reconhecer que as trevas não têm a última palavra.
Podemos afirmar que a Páscoa, essa experiência que não tem fronteiras no tempo e no espaço, é missionária? Será que temos clareza ou, pelo menos, nós nos esforçamos para perceber os sinais de ressurreição que o Senhor semeia? Como escola, podemos tornar-nos testemunhas de uma esperança que supera o otimismo superficial, porque atravessa a escuridão graças a uma luz que nos alcança e muda o nosso olhar.
Cada um de nós, em seu processo de fé e vida, buscou, em preparação para a Páscoa, experimentar, em certa medida, com nossos alunos, famílias e colegas educadores, o relato do lava-pés. Este nos mostra que a Páscoa não é um simples período do ano, mas uma forma de existência. Viver em chave pascal significa abraçar cada momento da vida, desde a alegria até a fragilidade e a morte. É aqui que aprendemos a sair de nós mesmos, a enfrentar cada desafio com a energia necessária e a clareza de consciência de que todo processo exige de nós coragem.
Páscoa é tempo de coragem. Sair de um simples lugar celebrativo para o encontro com as pessoas. Coragem para abrirmo-nos de fato, como bem escreve o Papa Francisco:
Como crentes, acreditamos que, sem uma abertura ao Pai de todos, não pode haver razões sólidas e estáveis para o chamado à fraternidade. Estamos convencidos de que somente com essa consciência dos filhos que não são órfãos podemos viver em paz uns com os outros. Porque só a razão é capaz de apreender a igualdade dos homens e estabelecer a convivência cívica entre eles, mas não pode estabelecer a fraternidade (FRANCISCO. Fratelli tutti, 2020, n. 272).
Podemos afirmar que a Páscoa é missionária? Sim, podemos, pois justamente na Páscoa somos convidados a mergulhar na espiritualidade trinitária de um Deus que é harmonia perfeita; um Deus presente e que sente conosco nossas aflições e alegrias; um Deus encarnado que se entrega por amor na cruz para ressuscitar ao terceiro dia; um Deus que se comunica ressuscitado dizendo: “O que ides conversando pelo caminho?” (Lucas 24,17).
Um abençoado tempo pascal!
Filósofo e teólogo, professor e coordenador missionário no Colégio Sagrado Coração de Jesus, Belo Horizonte-MG; membro da Equipe de Espiritualidade SSpS – Província Stella Matutina.
Imagem principal: Kiyyah (Istock).

