A Vivat Internacional participou de um diálogo crucial na COP30, em Belém-PA. O foco foi a governança climática, a conversão ecológica e os resultados do Processo Preparatório Pré-COP. O evento, realizado no dia 18 de novembro, reuniu líderes religiosos, acadêmicos e organizações da sociedade civil. A proposta foi ressaltar a necessidade urgente de repensar estruturas, fortalecer redes de apoio e garantir a participação genuína da comunidade na tomada de decisões climáticas.
Principais vozes em prol de uma governança climática justa
O diálogo contou com quatro contribuições significativas que, juntas, promoveram uma transformação ética, estrutural e espiritual.
Dom Paulo Andreolli: pilares para uma governança profética
Dom Paulo Andreolli, bispo auxiliar na Arquidiocese de Belém do Pará, identificou três pilares essenciais para alcançar uma governança climática justa:
- Governos com compromissos claros e vinculantes orientados para o bem comum.
- Uma sociedade civil organizada que, com sucesso, une fé, ciência e comunidades locais.
- Igrejas com uma missão profética ativa em defesa da Criação e das populações vulneráveis.
Ele desafiou os participantes a considerarem um modelo de governança que integre ética, conhecimento técnico, política, compaixão e espiritualidade. Concluiu que a COP30 deve transcender a diplomacia para se tornar um espaço de escuta genuína, troca de ideias e compromisso com nossa Casa Comum.
Dom Jaime Spengler: um Sul Global unido exige justiça
O cardeal e arcebispo de Porto Alegre-RS, Dom Jaime Spengler, apresentou um importante documento conjunto das Conferências Episcopais da África, Ásia e América Latina: as regiões do Sul Global. O documento, intitulado “Um chamado por justiça climática e a Casa Comum: conversão ecológica, transformação e resistência às falsas soluções”, é uma posição unificada que:
- denuncia as falsas soluções que o “capitalismo verde” frequentemente promove;
- reconhece a dívida ecológica histórica contraída pelas nações ricas;
- afirma que a crise climática é um problema existencial que exige ação imediata;
- exige uma profunda conversão ecológica e uma transformação estrutural.
O arcebispo destacou que a COP30 é o momento de reafirmar a missão profética da Igreja de defender a natureza, os pobres e os territórios ameaçados.
Professor Mário Tito Almeida: a esperança surge dos territórios
O professor destacou a autoridade moral da Igreja para promover uma conversão ecológica abrangente. Ele forneceu exemplos concretos de soluções que surgiram das comunidades locais, enfatizando que a verdadeira sustentabilidade vem da terra, não da lógica de mercado. Essas práticas incluem:
- agroecologia e economias baseadas na solidariedade;
- proteção de territórios e recursos naturais;
- educação popular e ecológica.
O prof. Mário criticou a separação estrutural entre a Zona Verde (sociedade civil) e a Zona Azul (negociações oficiais) na COP, observando que isso perpetua a exclusão e impede a participação efetiva dos povos tradicionais. Concluiu que a Igreja permanece firme “onde a vida está ameaçada”, defendendo a água, a terra, as florestas e as pessoas.
Rebeca Silva: coerência e participação social
Rebeca Silva, membro do Movimento Laudato si’, enfatizou a grande importância da educação holística em escolas, universidades, comunidades e instituições religiosas. Sua mensagem focou na necessidade de:
- preparar agentes sociais conscientes e comprometidos;
- demonstrar liderança consistente que se solidarize com as populações vulneráveis;
- fortalecer os conselhos comunitários e os espaços democráticos;
- expandir urgentemente a participação social na governança climática.
Ele enfatizou que a justiça climática depende não apenas dos jovens, mas também da formação política, espiritual e ética de líderes adultos comprometidos e preparados para defender a vida.
Um apelo à ação coletiva e urgente
A participação da Vivat Internacional na COP30 demonstrou, com sucesso, a convergência entre fé, ciência, política e ação comunitária. As principais conclusões destacam que:
- a governança climática exige responsabilidade ética e política;
- a conversão ecológica deve ser profunda e abrangente;
- as soluções reais têm origem nos territórios e comunidades locais;
- a missão profética da Igreja e a participação social devem ser urgentemente reforçadas;
- a defesa de nossa Casa Comum é uma tarefa coletiva e urgente.
A Vivat Internacional reafirma sua missão global de promover a justiça, a dignidade, o cuidado e a transformação para todas as formas de vida.
A Vivat Internacional
A Vivat Internacional é um organismo multicongregacional. Foi fundada, em novembro de 2000, pelas irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) e os missionários do Verbo Divino (SVD). Atualmente reúne 12 congregações que atuam em 121 países. Tem como missão de promover, em âmbitos internacional e local, a defesa dos direitos humanos e do cuidado com a Casa Comum. A Vivat tem status consultivo especial no Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas (Ecosoc) e está associada ao Departamento de Comunicações Globais da ONU.
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Equipe SSpS Brasil, com informações e fotos da Vivat Internacional.

